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terça-feira, 1 de julho de 2025

Funções dos Role-Playing Games, de Sarah Lynne Bowman

Lançado originalmente em 2010, Funções dos Role-Playing Games: Como os Participantes Criam Comunidade, Resolvem Problemas e Exploram Identidade ganha finalmente sua versão em Português pela já conhecida parceria entre Provocare Editora, NpLarp e, agora, com o reforço do Selo Mancha.

Uma leitura fundamental nos estudos dos RPGs, do role-playing e dos jogos de representação em geral, o livro já é muito conhecido no Brasil - e agora se torna acessível a um público maior com a tradução do também pesquisador Tadeu Rodrigues Iuama, que também prefacia a edição. Em português e totalmente gratuito!

Funções dos Role-Playing Games faz uma abordagem analítica do mundo dos jogos de representação, fornecendo um arcabouço teórico para a compreensão de suas funções psicológicas e sociológicas. Às vezes descartado como escapista e potencialmente perigoso, o role-playing na verdade incentiva a criatividade, a autoconsciência, a coesão do grupo e o pensamento "fora da caixa". O livro também oferece uma observação participante etnográfica detalhada em role-playing games, apresentando entrevistas perspicazes com 19 participantes de jogos de mesa, live action e virtuais.

Sarah Lynne Bowman é acadêmica, designer de jogos e organizadora de eventos. Atualmente é professora sênior do Departamento de Design de Jogos da Universidade de Uppsala. Ela recebeu seu bacharelado e mestrado da Universidade do Texas em Austin em Rádio-TV-Filme, bem como seu doutorado da Universidade do Texas em Dallas em Artes e Humanidades. Além de Game Design, Bowman lecionou nas áreas de Humanidades, Inglês e Comunicação. Ela também foi Coordenadora do Programa de Estudos de Paz e Conflito no departamento de Estudos Interdisciplinares do Austin Community College de 2020 a 2022. Em Uppsala, Bowman é membro fundadora do grupo de pesquisa Transformative Play Initiative, que investiga o design e a prática de role-playing games como veículos de mudança pessoal e social. 

Americana, Bowman, que hoje mora na Suécia e atua internacionalmente, é seguramente uma das maiores pesquisadoras acadêmicas da área e, sem dúvida, uma das maiores articuladoras também do cenário do Larp no mundo, com fortes relações inclusive com o Brasil - como a participação no Simpósio RPG, Larp e Educação, a publicação de artigos nas revistas Tríade e REU, o intercâmbio com Tadeu Rodrigues Iuama e Leandro Godoy e a participação no projeto Larpocracy - que terá uma de suas etapas realizada no Brasil, na programação expandida da COP30, em Belém.

Você pode fazer o download do livro em quaisquer das opções abaixo

terça-feira, 9 de novembro de 2021

A Arte do Encontro, de Tadeu Rodrigues Iuama

Em uma nova parceria com o pesquisador Tadeu Rodrigues Iuama (autor de O Verso da Máscara e tradutor de Artes Participativas) e com a Editora Provocare, o NpLarp participa da publicação de mais um livro em domínio público.

A Arte do Encontro: Ludocomunicação, larps e gamificação crítica é um livro criado a partir da tese de doutorado do pesquisador, gestada na Universidade Paulista, dentro do grupo de pesquisas Mídia e Estudos do Imaginário.

Dividida em uma pesquisa bibliográfica crítica acerca da gamification e numa autoetnografia da participação em larps, a pesquisa propõe um modelo lúdico e, portanto, comunicacional, pautado pela complexidade, pela contra-hegemonia e pela ecologia. Por ludocomunicação, conceito defendido em A Arte do Encontro, compreende-se um contraponto à gamification – pautada pela competividade e pela virtualização – que visa a utilização de dinâmicas lúdicas para promover a formação e manutenção de relações comunitárias.

O livro conta com prefácio do Prof. Dr. Jorge Miklos (que também orientou a pesquisa), e posfácio da Profª. Drª. Míriam Cris Carlos Silva (que também é a responsável pela Provocare, editora do livro). 

Entre a versão da tese e essa versão em livro, o texto contou com uma revisão editorial do Luiz Prado e com a diagramação do Luiz Falcão, ambos no NpLarp – Núcleo de Pesquisa em Larp e Artes Participativas. 

Você pode faer o download do livro em quaisquer das opções abaixo

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Manifesto do Jeitinho Brasileiro

conforme originalmente publicado em 20 de agosto de 2018 no Blog LarPensar, de Tadeu Rodrigues Iuama

Da aurora de nossas experimentações com o larp, nós, enquanto brasileiros, já nos deparamos com algo que fazia valer nossa cultura sobre as imposições cristalizadas em um manual de regras. Se Leis da Noite, o primeiro “manual” de larp que chegava no Brasil, já previa a regra do “não tocar”, nos víamos diante de um celeuma. E o jeito, já nos primórdios do larp praticado nessas terras, foi usar o famoso “jeitinho brasileiro”. Pelo jeitinho brasileiro, nos manifestamos:

1. Jogar é Tocar.

1. Jogar é Tocar. Não somos estadunidenses. Isso é importante evidenciar. Nossas culturas são diferentes. Aqui, nós nos abraçamos, damos beijos no rosto (um, dois ou até três!) quando conhecemos alguém, pegamos nas mãos uns dos outros, colocamos a mão sobre o ombro de alguém quando queremos dizer algo importante, esbarramos uns nos outros nos transportes coletivos lotados. Nossa “bolha” é muito menor. Portanto, é estranho que não possamos nos tocar durante os larps. A premissa de que isso mantém segurança nunca nos convenceu: quando algo dá errado, irá ocorrer com ou sem o toque. Mais do que isso, nós tocamos as coisas. Tocamos atabaque, mas também tocamos violão e piano erudito, falamos “SE TOQUE” para alguém que perde o bom-senso. Tocar, em português, remete a to play, não por acaso, o verbo usado para jogar. Contra as tele-presenças, evocamos a existência de corpos em nossos larps, sob os auspícios de Boal. Somos brasileiros: existimos, logo pensamos. Por isso, para nós, o toque não é proibido. A falta consenso o é.

2. Jogar para Somar.

2. Jogar para Somar. Em algum momento, já jogamos para perder. O sentido disso era garantir que cada um dos jogadores não tivesse por foco que a narrativa de seu personagem fosse, de alguma forma, vencedora. Mas ainda assim, pensamos que jogar para perder parte da mesma visão individualista, talvez utilitarista do jogar para ganhar. Não implica, a princípio, preocupação com o jogo do outro. Jogar para somar, por outro lado, nasce da colaboração. Não poderia ser diferente, por sermos tributários de Paulo Freire, que nos ensina que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Pretendemos, a partir disso, propor um larp que saia da dinâmica de vencedor (opressor) e perdedor (oprimido).

3. A terceira margem do rio.

3. A terceira margem do rio. Nem larp nórdico, nem jeito sulista: tomar um manifesto escrito na Itália como manifesto sulista é ignorar tudo o que acontece ao sul da linha do Equador. Mesmo que em pontos divergentes, compartilham do mesmo relevo. Da mesma margem. Contra uma visão eurocêntrica (alguns dirão colonialista), celebramos ao poeta Guimarães Rosa, e sua terceira margem do rio. Filhos de pais cumpridores e mães régias, nos recusamos a ficar na primeira margem ou chegar à segunda margem. Trocamos a segurança do solo pela fluidez do rio. Mudamos “no devagar depressa dos tempos”, ao mesmo tempo em que afirmamos que “ninguém é doido. Ou, então, todos”. Não nos alinhamos, embora tenhamos bebido desses mananciais, nem ao larp nórdico nem ao jeito sulista. Os larps blockbuster, ou as chanchadas, não competem a nós.

4. Larp da fome.

4. Larp da fome. Se o Dogma 99 parte de uma inspiração do Manifesto Dogma 95 (do cinema), transliterado ao larp, nos sentimos no dever de evocar a estética da fome e o Cinema Novo de Glauber Rocha. Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça? Não. Também. Para longe dos figurinos e cenografias exuberantes, o larp da fome buscou, busca e buscará a redução de todos os acessórios, procurando pela essência do larp. Um larp minimalista? Talvez. Mas mais do que isso. Um larp que compreende que a ilusão 360º pode ser criada pensando em larps que se passem em um bar, para serem jogados em um bar. Numa sala branca com luzes diretamente nos olhos, reproduzindo a higienização high-tech de uma nave espacial. Numa garrafa de café. Num cigarro. Na cachaça oferecida à uma entidade. No uso dos próprios participantes como cenografia. O larp não sendo visto pela lente do cinema é pensar que a violência do larp reside justamente na sua negação ao espetáculo.

5. Manguebleed.

5. Manguebleed. Tributários do manguebit, entendemos o larp como uma forma de arte, uma mídia e uma linguagem. Mas também entendemos o larp como ocupação. Um choque contra o coração de uma cultura à beira do infarto. O protagonismo inerente aos larps é uma resposta ao consumo de uma cultura cada vez mais pasteurizada. Por isso, procuramos pelas brechas, pelos não-lugares. A blackbox não nos é algo viavelmente disponível. No lugar dela, os bares, os restaurantes, as garagens desocupadas, os parques, os centros culturais, as salas de aula, as praças, as bibliotecas públicas, as chácaras coletivamente alugadas. Façamos com que esses corações voltem a irrigar sangue para a relação indivíduo-espaço público.

6. Por um larp antropófago.

6. Por um larp antropófago. Temos uma cena diversa e descentralizada no Brasil. E a falta de centralização (por vezes, até de diálogo) é o que garante a diversidade. Não seria exagero dizer que só a participação nos une. Dos reinos do nordeste ao sul do boffer larp, do MilSim paranaense, da Comuna paulista de larp, dos larps de World of Darkness em diversas cidades espalhadas pelo país, do larp praticado em eventos, do larp enquanto prática cultural reconhecida pelas políticas públicas, do larp dentro de apartamentos – a única coisa que é compartilhada é o interesse na participação. Em devorar a contribuições do outro. “Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago”, diria nosso quase centenário Manifesto Antropófago. Negar a isso seria negar o jeitinho brasileiro. Negar nossa, nas palavras de Oswald de Andrade, “consciência participante”.


Um Voto de libertinagem?

Pois a castidade não cabe a nós...



Tadeu Rodrigues, após longas conversas com Luiz Prado e Luiz Falcão

Ano 464 da Deglutição do Bispo Sardinha



Larp com jeitinho brasileiro.


* as ilustrações usadas nas imagens são do artista J. Carlos para capa da revista PARA TODOS #1479, de 18 de fevereiro de 1928.

** essa postagem foi compilada em 04 de setembro de 2026, mas postada na data de publicação do manifesto para fins de arquivamento

terça-feira, 3 de abril de 2018

O Verso da Máscara, de Tadeu Rodrigues Iuama

É com grande satisfação que anunciamos a publicação do livro O Verso da Máscara: Processos Comunicacionais nos larps e RPGs de mesa, do pesquisador Tadeu Rodrigues Iuama.


O livro é resultado do mestrado do pesquisador, defendido em 2016, revisado e diagramado pelo NpLarp e está sendo publicado - sob domínio público! - pela Editora Provocare. A publicação também conta com prefácio de Mônica Martinez e posfácio de Jorge Miklos.


A versão impressa pode ser adquirida com o autor e, em breve, com o NpLarp.

Uma das marcas de nossa condição humana é a capacidade de dar vida aos vários “eus” que nos habitam, ou, nas palavras de Fernando Pessoa, a possibilidade de outrar-nos. Podemos nos transformar, jogando, naquilo que não somos, de fato, em nosso cotidiano. Podemos viver mundos distintos, diferentes culturas, situações inimagináveis, lugares impossíveis. O teatro, a literatura, o cinema, as histórias em quadrinhos, as brincadeiras, entre tantas outras invenções humanas, são artifícios para alargarmos a nossa experiência; são, portanto, modos de jogar com outros humanos e, mais do que isto, são jogos que empreendemos com nosso próprio ser, pois permitem testar nossos limites e habilidades. Oferecem-nos a oportunidade de uma transformação da subjetividade, sem riscos imensuráveis. Retiram-nos do cotidiano para talvez nos devolver mais plenos e conscientes do que somos, não somos e desejamos ser. Nesta obra, os jogos narrativos - role playing games (RPG) e live action role play (larp) - são abordados a partir de suas características de produtos culturais e processos comunicacionais, por sua possibilidade de criarem vínculos e de trazerem à tona narrativas que remetem à experiência dos jogadores. Pensar os jogos como comunicação permite pensar a comunicação como jogo, como forma de nos adaptarmos às diversas arenas, regras, situações, adversários e parceiros com os quais nos relacionamos ao longo de nossa existência. Esta obra nos revela que, com a comunicação, jogamos para nos mantermos vivos em meio ao embate com os tantos que somos. Que a cada jogo, é o que esperamos, possamos criar uma versão melhor de nós mesmos.
Míriam Cristina Carlos Silva

sábado, 17 de dezembro de 2016

Elge Larsson

Hoje é um dia muito significativo para o larp, para mim, e para minha relação com o larp, por n motivos.

Primeiro, há exatos cinco anos eu estava realizando, com os companheiros Cauê Martins e Erika Bundzius, o larp A Clínica: Projeto Memento. Uma produção paradigmática, na minha trajetória no larp e para o larp no Brasil de uma maneira geral, como eu acredito e já deixei explícito em muitas palestras, artigos e inclusive na minha participação no Knutpunkt em 2014. Luiz Prado, que hoje toca os projetos do NpLarp, Boi Voador e FERVO junto comigo, estava entre os jogadores - e considera esse larp um ponto de virada também no seu entendimento da linguagem.

Segundo, eu descobri recentemente que o dia 17 de dezembro marcava, na Roma Antiga, o início das festividades da Saturnália, que é uma ocasião que, além de ter suas relações com a linguagem do larp, dá nome ao grupo de larp de Dourados - MS, encabeçado por Tig Vieira, que eu tenho a felicidade de ter incentivado e acompanhado à distância graças a generosidade e curiosidade deste interlocutor

E terceiro porque hoje, em algum lugar de Estocolmo, na Suécia, está sendo celebrado, enquanto escrevo essas linhas o Memorial Evening de Elge Larsson (1944–2016), uma noite dedicada à sua memória.


Elge deixou esse mundo para finalmente transgredir a realidade física (como disse Mike Pohjola na ocasião de seu falecimento) entre os dias 3 e 4 de novembro. Foi vítima do câncer, contra o qual lutava há anos. Quando o conheci - virtualmente - já estava doente. Lembro dele ter mencionado que não estava podendo viajar de avião, por conta de complicações de saúde.

Mais tarde, apresentou tamanha melhora que chegou a mencionar que talvez viesse para o Brasil, visitar um amigo - outro sueco que está morando aqui, e com o qual eu também me correspondia. A última coisa que eu disse a Elge Larsson foi “Come to Brazil, Elge”, em resposta àquela afirmação.

Mas o câncer é uma doença traiçoeira - e Elge voltou a piorar. Sua última postagem no facebook - a não ser é claro por um vídeo humorístico - foi um “cancer report” onde ele dizia que os médicos haviam lhe dado não mais que um ano de vida. Foram apenas alguns dias, infelizmente.

Quem passar os olhos pela linha do tempo de Elge naquela rede social poderá ter ideia do quanto ele era querido e amável. Os relatos e depoimentos, todos, concordam em vários aspectos. Ele era um homem muito generoso e com um espírito jovem. Recusava o título de “vovô do larp”, como recusava ser tratado de forma diferente por ser mais velho. Representava o encontro de duas subculturas, marginais e transgressoras: o movimento hippie e o larp. Era, para muitas pessoas, como um padrinho acolhedor, mas sobretudo, para a maior parte deles, um amigo. Há posts de muitas pessoas ali: de “celebridades” do mundo do larp como Martin Ericsson (da White Wolf) e Claus Raasted (dos larps de Harry Potter), de familiares, amigos e pessoas que o viram poucas vezes (especialmente alguns alunos seus da Faculdade de Magia e Bruxaria, onde ele costumava ser professor). De faixas etárias, nacionalidades e biografias completamente diferentes. Muitos parecem concordar com a importância que Elge teve em suas vidas - de alguma forma ele fez a diferença.


Eu não o conhecia pessoalmente, mas a morte de Elge me acertou com impacto profundo. Um impacto que dificilmente eu poderia imaginar que esse evento teria.

Eu conheci Elge através do coletivo Deltagar Kultur/Ineracting Arts. Foi um dos primeiros materiais do larp nórdico ao qual tive acesso - talvez antes mesmo de conhecer o Dogma 99. (Isso foi em 2009? 2010?) Trata-se de um coletivo sueco que, entre outras produções que me fascinaram (como uma atividade com máscaras em praça pública que parecia ser um larp, ou um mp3 para baixar e seguir as instruções na cozinha, que influenciou minhas pesquisas também no fazer teatral com o coletivo Sáfaro… avataravo) tinha publicado, no issuu, duas edições internacionais da revista Interacting Arts. “Nós somos o que acontece quando o escapismo contra ataca”. “Roleplaying Radical”. Eram os slogans da publicação, com forte teor político, que me deixou apaixonado.

Algum tempo depois, eu passei a acompanhar as demais atividades e publicações do grupo à distância. (Até seu fim, há alguns anos). Uma postagem singela no blog do Eirick Fatland (Tips & Traps) abriu minha cabeça de modo muito potente para o que significava esse diacho de “arte participativa”. E eu passei a namorar muito seriamente o livro Deltagar Kultur, por alguns anos, que só existia em sueco e estava disponível em copyleft pela internet.

A inquietação e curiosidade acabou me levando, em 2014, a procurar os autores diretamente para saber mais a respeito. Consegui o contato de dois deles, Elge Larsson e Gabriel Widding, que foram muito generosos e acolhedores. (Diga-se de passagem, duas palavras que parecem caracterizar Elge são “transgressão” e “generosidade”). Widding inclusive é quem organiza o evento da noite de hoje, em homenagem ao colega e amigo. Mais jovem e com uma pesquisa que engloba também o teatro, Widding tinha estado recentemente no Brasil para um festival de Teatro Épico. Mas quem deu atenção a minha curiosidade pelo Deltagar Kultur foi Elge Larsson. Os quatro autores haviam começado uma tradução para o inglês, que não havia andado por falta de um editor.

Deixando muito claro que estávamos na absoluta ilegalidade, Elge contrabandeou essa versão para mim - e foi o primeiro livro em inglês que eu li até o final. Vale dizer nesse ponto que apesar o meu envolvimento com a cena de larp internacional meu inglês é péssimo. O que nunca impediu Elge de elogiá-lo, mesmo que vez ou outra não entendesse nada do que eu dizia. Desse episódio em diante, conversamos bastante pela internet. Eu animado por ter um interlocutor sueco, mais velho e mais experiente que eu. Ele animado por ter um leitor engajado no Brasil (o que para alguém na Suécia deve ser bem bacana mesmo, visto que o livro em questão sequer havia sido publicado em inglês).

Passei a incorporar a leitura do Deltagar Kultur em meu repertório e, com autorização dos autores, a cavar aqui no Brasil uma oportunidade de publicá-lo em português. Elge Larsson e Gabriel Widding me garantiram que eles poderiam vir ao Brasil para o lançamento, caso isso realmente se concretizasse.

É aqui que a história ganha ares mais impactantes.

O contato com a editora que ia publicá-lo acabou esfriando, junto com a procura por um tradutor parceiro, que topasse dialogar comigo e com os autores sobre as possibilidades e especificidades da produção. Até que, no dia 18 de outubro deste ano, após a defesa de mestrado do colega sorocabano Tadeu Rodrigues Iuama, ele próprio retomou o assunto. “Agora que eu terminei o mestrado, vamos fazer aquela tradução do Deltagar”. Grande parceiro, professor de inglês e mestre em larp por uma faculdade de comunicação, a notícia não podia ser mais bem vinda. Combinei de apresentá-lo ao Elge Larsson, meu contato, assim que voltasse para São Paulo. Mas estávamos às vésperas do Encontro de RPG do CCJ, onde todos os anos acumulo muitas funções, e pedi para esperarmos alguns dias. Na semana seguinte, estava envolvido com os preparativos para a festa de aniversário da minha filha - e acabei não fazendo o combinado também. Tendo em vista minha demora, o próprio Tadeu Rodrigues o procurou. Elge foi solícito, como sempre, mas monossilábico. Enviou para ele todos os arquivos, os contato dos demais autores e a confirmação “Go Ahead”. Foi tudo o que ele disse. (isso foi no dia 30 de outubro).

No dia 4 de novembro, debatíamos eu e o Tadeu Rodrigues sobre minúcias da tradução. Dia 6, de manhã, foi ele quem me deu a notícia. Elge Larsson estava morto. Foi a primeira coisa que soube ao acordar.

Foi por um triz.

Eu deixei de apresentá-los. Deixei de trocar as últimas palavras afetuosas com o Elge (ele sempre era absolutamente afetuoso, mesmo sem me conhecer pessoalmente). Elge também não viria ao Brasil. Nem para ver seu amigo que está morando aqui, nem para o lançamento de seu livro em português. Eu não poderia conhecê-lo pessoalmente e passar alguns momentos com ele em um futuro Knutpunkt. Não poderia ouví-lo falar sobre o larp como possessão, ou qualquer outro assunto que ele viesse a desenvolver, quando meu inglês me permitisse entender o enunciado com tranquilidade.

Mais que isso.

Elge foi a primeira pessoa envolvida com larp, que eu conhecia e com quem eu dialogava, que eu “vi” morrer. Para mim, foi de certa maneira um aviso: Elge leva com ele todo o conhecimento que, de alguma forma, não passou adiante.

No início desse ano, eu me comprometi com uma missão - que como todo compromisso de ano novo, neglicenciamos - a produção de conhecimento é mais importante que disseminação de informação. Trabalhamos muito, mas falamos pouco sobre nosso trabalho. A morte de Elge me deu a dimensão da efemeridade desse conhecimento acumulado. O que não registrarmos em textos, vídeos, o que não passarmos adiante em histórias e convívio, se perderá.

A linha do tempo de Elge no facebook passou a revelar uma porção dessas histórias. (Uma infinidade de outras, ele levou consigo). Ele é um dos organizadores do larp Dragonbane (aquele com o dragão de 15 metros). Mas até então eu não sabia que ele havia pedido dinheiro emprestado para o Claus para cobrir uma dívida de produção do jogo - e que a relação dele com dinheiro era séria, mas desapegada. Eu também não sabia que foi ele quem traduziu A Jornada do Herói, do Campbell, para o sueco. Ele também apresentou em 2014 (o mesmo ano em que o Wagner Luiz Schmit e eu apresentamos meu artigo no Knutpunkt) uma fala brilhante sobre imersão como possessão, cujas anotações ele publicou na internet. A gravação em vídeo sofreu algum problema e nunca foi compartilhada, mas outro amigo estava lá assistindo, o português José Jácome, e me deu alguns detalhes sobre como foi a exposição.

Eu demorei alguns dias para entender e interpretar o que essa perda significava para mim. Uma sessão com meu terapeuta foi toda dedicada a compreender o que isso queria dizer. O emaranhado de relações simbólicas, de coincidências, de sincronicidades, influências e correspondências.

Com meu psicólogo, entendi que a vida de uma pessoa ganha outro sentido no momento de sua partida. E pessoas do mundo inteiro, nesse momento, estão celebrando essa passagem nesta noite. Em Elge, perdi um interlocutor generoso, e ganhei um modelo sobre o qual refletir, uma obra sobre a qual me debruçar.

Elge foi embora, restam os resultados de seu trabalho, as influências pequenas e/ou grandiosas que ele deixou em sua passagem por nosso mundo - e uma porção de ensinamentos e sensibilizações que ainda vão se desdobrar para sempre, no que permaneceu de suas ações, e nas ações daqueles nos quais algo dele permaneceu.


* Luiz Falcão é fundador do Nplarp.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

NpLarp na Unicamp

Luiz Falcão e André Sarturi, em foto de Luiz Prado, durante o larp Café Amargo.

Ontem o NpLarp esteve na UNICAMP para o Seminário de Pesquisas do Programa de Pós Graduação em Artes da Cena (sppgadc).

A convite do pesquisador André Sarturi, fomos apresentar a linguagem do Larp no evento. Levamos um cardápio de jogos com uma seleção abrangente de larps que qualquer pessoa pode realizar, sem grandes recursos. No cardápio, jogos do Brasil e do exterior que demonstram a diversidade da prática, mesmo em um recorte por similaridade. Algo que seria impossível alguns anos atrás, quando começamos essa jornada.

O material é uma variação do mesmo "cardápio" que Luiz Falcão levou para o Sesc Bauru, alguns dias atrás - e em breve ganhará também uma versão digital.

No encontro, além da participação no evento, tivemos oportunidade de conversar bastante com o pesquisador André Sarturi, que desenvolveu seu mestrado em artes cênicas - pesquisando larp - em 2012 e agora desenvolve, na UNICAMP, seu doutorado em dança e participação no espaço urbano, com o espetáculo ILINX.

Foi uma rica oportunidade de troca e debate que esperamos repetir em breve.

Infelizmente, esquecemos (pra variar) de tirar uma foto oficial, com os três pesquisadores. A foto acima é o único registro, clicada pelo Luiz Prado enquanto jogávamos Café Amargo!

André Sarturi, à direita, no larp O Jogo do Bicho, do Boi Voador (2014).

terça-feira, 5 de julho de 2016

NpLarp recebe Thiago Junges


Sábado dia 25 de junho o Tiago Junges (Kaldjorn, Verloren, Kampfest...) veio a São Paulo para duas atividades no Sesc Itaquera - um bate papo e a realização do larp space opera Hyperdrive.

À noite, visitou o NpLarp e conversou com Luiz Prado e Luiz Falcão.

Conhecemos o trabalho dele com larp em 2013 - na verdade divergimos exatamente sobre como foi. Em uma ocasião, lemos uma matéria na internet sobre um larp medieval em Porto Alegre onde o responsável entrevistado dizia que o larp era também uma mídia e uma forma de arte. Seriam ecos do Guia Prático de Larp? Tratava-se de Kaldjorn. Por outro lado, durante o processo de criação do larp O Jogo do Bicho, encontramos o rpg DOGs, de autoria do Junges, que - como O Jogo do Bicho - também tinha como uma de suas influências o filme Cães de Aluguel, e acabamos conhecendo os demais trabalhos do autor.

Depois, fomos recebidos por ele em Porto Alegre, na ocasião do LabJogos de 2015 - onde pudemos conversar de maneira mais próxima e trocar experiências sobre nossas práticas (e teorias!) a respeito do larp.

Em nosso encontro em São Paulo, duas semanas atrás, aproveitamos a oportunidade para aprofundar o diálogo começado no Sesc de manhã - e claro, em todas as ocasiões anteriores! ;)

Por quase uma hora, falamos de muitos detalhes, histórias e escolhas que envolveram o larp Kaldjorn e sua trajetória até o encerramento, em janeiro desse ano, e o novo projeto do realizador, Crônicas de Verloren.

Criação de personagem, fichas, habilidades, cultura de jogo, caracterização, experiência, sistema monetário, gestão de recursos, o trabalho como organizador e designer, a interlocução com as comunidades de jogadores, o evento anual Kampfest.... e a escolha de um novo rumo, fundamentado em 4 anos de experiência com o Kaldjorn, para um estilo de jogo mais imersivo e narrativo, em Verloren.

Depois, conversamos com Junges sobre outros projetos na linguagem. Em especial o larp Radioativo, criado por ele e realizado ano passado em Porto Alegre. Com influência do larp Nórdico, a experiência foi absolutamente diferente do experimentado em larps como Kaldjorn e abriu caminho para outra linha de trabalho, com larp, em Porto Alegre.

A gestão de recursos parece ser um elemento constante nos jogos do autor. Desenvolvedor também de jogos digitais, cardgames, boardgames e RPGs, Junges não se prende a territórios de conforto nas linguagens - e usa livremente os recursos disponíveis entre elas. Com o tempo e a experiência, tem percebido como tirar melhor proveito deles em cada linguagem. Alguns de seus jogos já estão disponíveis na internet, gratuitamente, e ele tem planos para fazer o mesmo com outros (Hyperdrive incluso).

Além de Verloren, Radiotivo, Purgatório (?!), Fin des Temps e Hyperdrive... tudo indica que virão mais larps de Tiago Junges em breve. Um brinde a isso!

Um brinde ao intercâmbio!

Um brinde a parceria!

O larp é a arte do encontro!




PS: até aquele momento, dentre os larps do autor, apenas Fin des Temps não havia sido realizado. No dia seguinte, descobrimos que o professor Rafael Carneiro Vasques havia utilizado o larp com seus alunos. Naquele mesmo dia!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

NpLarp no Panzercast

Já está na rede o episódio 23 do Panzercast, podcast feito pelos parceiros sorocabanos Felipe "Gordo" Parra, Tadeu "Barba" Rodrigues e Alexander "Chileno" Vasquez. Nesse programa, o tema foi larp e nós do Boi Voador/NpLarp fomos convidados para apresentar um pouco das origens, perspectivas e diversidade da linguagem.

Saiba mais e acesse os link também no blog do panzercast:

Ficha Técnica e Links:

Participantes:

Felipe Parra
Chileno (a Lhama vomitadora de Amoras)
Tadeu Barba
Luiz Falcão
Luiz Prado

Trilha Sonora:

Ancient - Ponderous Moonlighting
Ancient - I The Curse
Ancient - Exu
Chico Buarque - Calabar, o Elogio da Traição
James Horner - Braveheart Soundtrack
Children of the Corn
Dead Poets Society Sondtrack
Holy Motors - Daft Punk Time of Your Life
Coffee Time Jazz Music
Knights of Badassdom OST - Abominog Battle
Knights of Badassdom OST - Earn Our Valor
Mastodon - High Road
Smooth Jazz - Coffe Break
Jeff Lorber - Smooth Jazz Fusion

Links relacionados:

Dogma 99 (em inglês)
NpLarp
Boi Voador
Guia de aplicação para Ouça no Volume Máximo
Knutepunkt – Nordic Larp Wiki
Guia de aplicação para 13 à mesa
WyrdCon – Convenção norte-americana
GNialis – Convenção francesa
Larp Symposium – Convenção italiana
Novos Sabores do Larp Brasileiro (em inglês, no The Cutting Edge of Nordic Larp)
Confraria das ideias
Batalha Cênica Salvador
Resenha de Halat hisar – larp sobre Finlândia ocupada
Guia de aplicação para 3 de mim
Guia de aplicação para Boa Noite, Queridinhas
Guia de Aplicação para Mistério Ama Companhia
Larp americano como metáfora social (em inglês) – Lizzie Stark
Larp não é RPG
Larp e rpg de mesa – onde acaba um e começa outro
Unicorn City – Trailer
Knights of Badassdom – Trailer

Por motivos de que o flashplayer foi descontinuado e próprio panzercast deixou de ser produzido - sendo assim, os links saíram todos do ar - viemos aqui atualizar onde encontrá-lo (07 de dezembro e 2021)

 Você pode ouvir o Panzercast no player abaixo ou clicando aqui.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Revista Mais Dados - 'Novos Sabores do Larp Brasileiro' e dois larps curtos de Luiz Prado

os links dessa postagem foram corrigidos no dia 14/03/2022
Revista Mais Dados [link novo] é uma publicação científica brasileira com foco em roleplay e jogos, voltada para RPGs, larp e jogos de carta ou tabuleiro. Organizada e publicada pela ONG Narrativa da Imaginação, a revista está disponível gratuitamente e online em formato pdf, clicando aqui. disponível gratuitamente e online em formato pdf, clicando aqui. 

O larp está representado nessa primeira edição por meio da tradução do artigo "New Tastes in Brazilian Larp" publicado em março em coletânea internacional e agora finalmente disponível em português, e os roteiros de aplicação de Café Amargo e Álcool, larps de Luiz Prado.

NOVOS SABORES DO LARP BRASILEIRO

Escrito por Luiz Falcão, o artigo tenta estabelecer um histórico crítico do larp no Brasil, dividindo-o em três momentos e concentrando-se no último, onde aponta a influência do Larp Nórdico e a diversificação da prática a partir do entendimento do larp como uma linguagem. Novos Sabores no Larp Brasileiro, é um dos poucos textos sobre o assunto e referencia um grande número de experiências distintas sendo provavelmente o texto mais completo e abrangente sobre o larp no Brasil até hoje.

Publicado originalmente em inglês no livro The Cutting Edge of Nordic Larp (Suécia, março de 2014), livro oficial do Knutpunkt 2014.

CAFÉ AMARGO

Realizado pela primeira vez em 2013, no labLarp, este larp curto de Luiz Prado para 2-6 pessoas utiliza de sinestesia e está dentro da pesquisa do autor que engloba também Ouça no Volume Máximo e Álcool: larps com teor sentimental, relativamente breves, onde mecânicas de jogo são utilizadas para catalizar as relações entre os personagens dos jogadores, que são criados durante o jogo.

Café amargo também está disponível em inglês: Bitter Coffee - Sooner or later the people we love will say goodbye.

ÁLCOOL

Com roteiro inédito até esta Mais Dados, Álcool já havia sido realizado em Sorocaba, no evento Fantasy Arts e em Belo Horizonte, no Laboratório de Jogos. Neste larp, os participantes representam memórias de um personagem envolvido com a bebida. Para 2-5 pessoas, é um jogo "sobre o significado do álcool em nossas vidas".



quarta-feira, 23 de abril de 2014

NpLarp e Boi Voador no Laboratório de Jogos 2014

Foto por Luiz Lurugon.
Nos dias 18, 19 e 20 de abril estivemos em Belo Horizonte, na segunda edição do Laboratório de Jogos. Direcionado para produtores de jogos analógicos - rpg, larp e jogos narrativos em geral -  o evento contou com diversas palestras, mesas-redondas e testes de jogos. Dentro da extensa programação, o Boi Voador e o NpLarp contribuiram com alguns jogos, falas e palestras.

Jogos


O primeiro dia do Laboratório começou com Álcool, larp de Luiz Prado ainda não publicado, sobre o papel da bebida na vida das pessoas. Foram três aplicações do jogo, variando do humorístico para o melancólico. O retorno dos jogadores foi bastante interessante, com considerações sobre aspectos mecânicos do larp e as implicações emocionais que a experiência trouxe para cada um. Como preparação para o Álcool realizamos 3 de mim, poema de representação de Matthijs Holter.

3 de mim, preparação para Álcool. Foto por Igor Smith.
No segundo dia tivemos Morte Branca, larp dinamarquês de Nina Runa Essendrop e Simon Steen Hansen, inédito no Brasil. Levamos o larp para o evento instigados pela total ausência de falas durante o jogo e por sua intensa oficina preparatória, na qual os personagens são construídos através de exercícios corporais. Essas duas características, aliadas à centralidade da representação pelo corpo, tornam a aplicação de Morte Branca um marco para as pesquisas do Boi Voador e do NpLarp.

Morte Branca. Foto por Luiz Falcão.
Fechando a programação de jogos, aplicamos no terceiro dia do evento O Jogo do Bicho, larp original do Boi Voador sobre criminosos no Brasil dos anos 70. Propondo a construção aleatória de personagens através de cartas e mecânicas inspiradas na atmosfera da obra de David Lynch, O Jogo do Bicho é o desenvolvimento de Máfia, realizado no Laboratório de Jogos 2013. Várias mudanças foram feitas em relação ao jogo de 2013 e o debate pós-larp foi muito gratificante, com os participantes analisando aspectos da construção dos personagens e das mecânicas do jogo, destacando o que funcionou e sugerindo alterações nos pontos que geraram ruídos durante a experiência.

Cenário de O Jogo do Bicho. Foto por Igor Smith.

Apresentações


Além dos larps, tivemos também uma série de falas e discussões durante o evento. Em Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional, Luiz Prado apresentou uma retrospectiva da cena brasileira tendo como ponto de partida a edição 2013 do Laboratório de Jogos. Durante a fala, destacou a importância do Laboratório para o intercâmbio entre produtores de diversas partes do país, o surgimento de novos espaços de jogo e o aumento de diários de produção, críticas e resenhas dos jogos.

"Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional". Foto por Luiz Lurugon.
Na palestra As palavras tem poder - como uma simples definição mudou os rumos do larp no país, Luiz Falcão discorreu sobre o impacto que a adoção do termo larp teve no próprio entendimento da prática, transformando-a de simples modalidade de rpg para uma arte autônoma, capaz de abrigar múltiplas experiências, formatos e temáticas.

Já em Cultura Participativa e Estética Relacional, Falcão apresentou as ideias expressas no livro Deltagar Kultur (do grupo sueco Interacting Arts) e na obra de Nicolas Bourriaud, discutindo as noções de artista, espectador, interator e participante, relacionando-as com o larp e o rpg.

Falcão participou também na mesa redonda Como trabalhar com jogos de representação - para além de publicar um livro ao lado de Encho Chagas, autor de Pulse, jogo ganhador do Game Chef 2013, Rafael Rocha da ONG Narrativa da Imaginação e Danilo Kobold da loja/editora Kobold´s Den. A proposta da mesa foi apresentar diversos casos de projetos relacionados ao larp e ao rpg que não envolvem diretamente a publicação editorial.

"Como trabalhar com jogos de representação - para além de publicar um livro". Foto por Luiz Lurugon.
Fechando a programação proposta pelo NpLarp e o Boi Voador, a palestra de Falcão As bailarinas de Degas mostrou como o desenho deixou de ser uma técnica considerada apenas preparação para a pintura e a escultura e alcançou a condição de arte autônoma. A fala procurou estabelecer um paralelo com o larp, praticado por companhias teatrais como aquecimento e exercício, sem o reconhecimento de sua autonomia.

"As bailarinas de Degas". Foto por Igor Smith.
Assim como aconteceu na edição 2013 do Laboratório de Jogos, discutimos muitas ideias, conhecemos iniciativas inovadoras tanto em larp quanto em rpg e tivemos momentos muito bons com a realização dos jogos. Contudo, o mais importante com certeza foi rever os velhos rostos e conhecer os novos produtores. Saímos do evento com a certeza de que o larp e o rpg indie só tem a ganhar com uma intensa troca de ideias e experiências, livre de impedimentos - exatamente a proposta do Laboratório de Jogos.

terça-feira, 25 de março de 2014

Larp Brasileiro no Knutpunkt


Como muitos já sabem, o Knutpunkt é a conferência internacional mais importante e influente de larp - e este ano acontece na Suécia, dos dias 3 a 6 de Abril. (Existem outras, como o Larp Simposium, na itália, o New York Living Games Conference nos EUA, o Gniales na França... só pra citar algumas.)

Todos os anos, junto ao KP, os nórdicos publicam pelo menos um livro com artigos inéditos sobre larp, procedentes de diversas partes do mundo. O livro deste ano The Cutting Edge of Nordic Larp, acaba de ser publicado, gratuitamente em formato PDF, em inglês. E há um artigo sobre o larp brasileiro, assinado por Luiz Falcão (eu), do NpLarp.


Novos Sabores no Larp Brasileiro: da Coca-cola à Caipirinha com Gelo Nórdico.

Colaboraram para a redação do artigo pesquisadores do NpLarp e diversos colaboradores (Luiz Prado, Wagner Luiz Schmit, Goshai Daian, Krisna Farnese, Paulo Merlino e outros). Alguns erros escaparam a versão final, que passou por 5 revisores (eu mesmo, o editor Jon Back, o tradudor Wagner Luiz Schmit e os revisores Ricardo Izumi e Tadeu Andrade) e já peço desculpas aos leitores quando os encontrarem.

New Tastes... é a primeira tentativa de organizar e estabelecer alguma coisa que se pareça com uma historiografia ou trajetória, mesmo que informal, do larp no Brasil. O foco, necessariamente, é a relação com o Larp Nórdico, por se tratar de uma conferência sobre o tema - o que levou a uma orientação a partir de alguns jogos e tradições, deixando muita coisa de lado ou apenas pincelada no artigo.

Além dos erros que possam ter escapado à revisão, tenho consciência que algumas injustiças ou enganos foram cometidos no texto - bem como imprecisões e falta de acuidade em muitos pontos. Mas o artigo é resultado de pelo menos 3 anos de pesquisa e representa grandes avanços em relação ao que foi publicado no LIVE! Guia de Larp. Convido a todos que tiverem qualquer apontamento sobre o conteúdo do texto - ou o que está faltando nele - a enviarem um email para mim (luizpires.mesmo [arroba] gmail.com) ou ao Núcleo de Pesquisa (nplarp.br [arroba] gmail.com) com o intuito de continuarmos escrevendo a memória do larp no Brasil.

Em breve, pretendo publicar uma versão do artigo em português (com direito a mais fografias) e ela já pode conter algumas revisões.

A versão em inglês está disponível a partir do link do The Cutting Edge of Nordic Larp na Nordic Larp Wiki.


MAIS LARP BRASILEIRO NO KNUTPUNKT

Este ano, como em 2009, Wagner Luiz Schmit irá representar o Brasil na conferência. Haverá ainda uma apresentação também intitulada "New Tastes in Brazilian Larp", onde participarei por teleconferência. Apesar de homônimos, os conteúdos do artigo e da apresentação terão focos bastante diferentes - e complementares.

Além disso, estamos preparando alguns jogos Brasileiros para serem apresentados pela primeira vez a uma audiência internacional. (Pensando bem, um grupo no Japão jogou Café Amargo este mês... Mas agora estamos falando do Knutpunkt!)

A PEDRA FUNDAMENTAL DO LARP NÓRDICO

A surpresa foi a publicação de um segundo livro, editado pelo trio Eleanor Saitta, Marie Holm-Andersen e Jon Back, entitulado The Foundation Stone of Nordic Larp que é uma coletânea de artigos "históricos" do knutepunkt, todos comentados com uma folha de rosto situando seu contexto e importância.

É um trabalho bastante relevante tendo em vista o recente crescimento da discussão internacional sobre a linguagem e a longa tradição dos países nórdicos. Todos os livros do Knutpunkt estão disponíveis gratuitamente em formato PDF, em inglês, mas nunca houve até então uma tentativa de organizar uma curadoria dos mais importantes textos ao longo desses mais de 10 anos de publicações e desenvolvimento da linguagem.

The Foundation Stone... é ao mesmo tempo um apanhado para os "preguiçosos" que não querem fazer suas próprias pesquisas na amplamente disponível tradição literária especializada dos nórdicos, rs, quanto uma revisão crítica necessária e muito bem vinda em um momento de efervescência como nunca antes parece ter sido vivido na história da linguagem.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

LIVE! Live Action Roleplaying - Um Guia Prático para Larp

Download (versão para leitura digital):
google mediafire dropbox scribd

Download (versão apostila - 2pgs por A4):
capa:
google mediafire dropbox scribd

miolo:
google mediafire dropbox scribd
ps. por favor, comunique no caso de link quebrado ou problemas para download

ps2. se precisar de qualquer versão "fechada" de maneira diferente, ou do arquivo aberto do livro ou de qualquer uma das magens, não hesite em mandar um e-mail pedindo. Esta é uma obra em creative commons que você pode usar como quiser, desde que cite suas fontes.

domingo, 25 de março de 2012

NpLARP no 1o. Encontro dos Pesquisadores da Cultura


Nos dias 10 e 11 de fevereiro de 2012, aconteceu no campus da USP Leste, pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades, o 1o Encontro dos Pesquisadores de Cultura, um evento voltado tanto para a comunidade acadêmica quanto ligados ao poder público ou a sociedade civil.

Participamos em uma mesa no dia 10, junto a outros pesquisadores e o trabalho foi muito bem recebido.
Foi uma oportunidade não apenas de expor os resultados desses 8 meses de pesquisas, mas de conhecer muitas outras pesquisas e pesquisadores! (E rever alguns trabalhos que já admirávamos!)
O grande sucesso foi decorrente do formato, com apresentação dos trabalhos seguida de debates. Saímos de lá cheios de fôlego e motivação! Infelizmente, não houve registro das mesas: ou seja, pra quem não foi não vale a pena perder ano que vem!