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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Morte ao Artista! - Ciclo de iniciação ao larp no SESC Itaquera - 29/5


Dia 29 de maio, domingo, acontece o último encontro do Ciclo de iniciação ao larp do Sesc Itaquera, organizado pelo NpLarpBuscando apresentar, vivenciar e discutir a linguagem, o ciclo é a oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.

O encontro deste domingo traz o larp inédito de Luiz Prado Morte ao Artista! Nele, os participantes vivem uma experiência na fronteira entre jogo e teatro, criando colaborativamente o drama de um artista prestes a cometer suicídio diante de seu criado, observado por uma plateia ávida para ver seus desejos atendidos no palco.

Morte ao Artista! é fruto das vivências teatrais do autor e do contato com a obra e a teoria do encenador polonês Tadeusz Kantor. Representa uma aproximação entre larp e teatro a partir da problematização do papel do público e da vaidade em cena.

encontro é gratuito e acontece das 14 às 17 horas. O Sesc Itaquera fica na Avenida Fernando Espírito Santo Alves de Mattos 1000, ao lado do Parque do Carmo. A melhor opção de aceso é ir até a estação Itaquera do metrô e tomar o ônibus Gleba do Pêssego, que sai do terminal anexo à estação.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Uma tarde no museu - Ciclo de de iniciação ao larp no SESC Itaquera - 22/5



O Ciclo de iniciação ao larp no Sesc Itaquera continua neste domingo, 22 de maioBuscando apresentar, vivenciar e discutir a linguagem através de produções do próprio NpLarp, o ciclo é a oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.

O larp escolhido para este domingo é Uma tarde no museu, uma experiência sobre nossa relação com a arte e o cuidado com o outro. O larp dialoga com a performance e problematiza as formas de interação com as obras de arte, possuindo forte potencial pedagógico.

Uma tarde no museu foi realizado pela primeira vez em julho de 2014, no Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP). Ganhou uma segunda aplicação pelo autor ainda no mesmo ano, em outubro, com educadores e educandos do Projeto Redigir. Esta será a terceira realização pelo autor Luiz Prado.

encontro é gratuito e acontece das 14 às 17 horas. O Sesc Itaquera fica na Avenida Fernando Espírito Santo Alves de Mattos 1000, ao lado do Parque do Carmo. A melhor opção de aceso é ir até a estação Itaquera do metrô e tomar o ônibus Gleba do Pêssego, que sai do terminal anexo à estação.
Confira abaixo as próximas datas e larps do Ciclo:
22/5 – Uma tarde no museu
29/5 – Morte ao Artista!


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Três homens de terno - Ciclo de iniciação ao larp no SESC Itaquera - 15/5



Acontece neste domingo, 15 de maio, o terceiro encontro do Ciclo de iniciação ao larp no Sesc Itaquera, realizado pelo NpLarp. Buscando apresentar, vivenciar e discutir a linguagem através de produções do próprio NpLarp, o ciclo é a oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.
Nesta semana será realizado o larp Três homens de ternouma experiência sobre escolhas feitas diante do desconhecido. Com ênfase radical na construção colaborativa do larp, Três homens de terno é um estudo prático da essência da linguagem e um convite à criação, a partir das próprias estruturas, das narrativas que vivenciamos.

Três homens de terno foi elaborado em 2013 e apresentado pela primeira vez no labLARP, espaço de experimentação da linguagem organizado por Jonny Garcia com apoio do NpLarp na cidade de São Paulo. Em 2015, uma nova realização programada para o Ciclo de iniciação do Sesc Ipiranga não aconteceu em virtude de problemas técnicos. Dessa forma, domingo verá a segunda aplicação do jogo pelos autores.
encontro é gratuito e acontece das 14 às 17 horas. O Sesc Itaquera fica na Avenida Fernando Espírito Santo Alves de Mattos 1000, ao lado do Parque do Carmo. A melhor opção de aceso é ir até a estação Itaquera do metrô e tomar o ônibus Gleba do Pêssego, que sai do terminal anexo à estação.
Confira abaixo as próximas datas e larps do Ciclo:
15/5 – Três homens de terno
22/5 – Uma tarde no museu
29/5 – Morte ao Artista!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Sê um viajante numa noite de inverno - Ciclo de iniciação ao larp no SESC Itaquera - 8/5


Domingo 8 de maio traz o segundo encontro do Ciclo de iniciação ao larp no Sesc Itaquera, realizado pelo NpLarp. Durante o ciclo, serão realizados larps desenvolvidos pelo próprio núcleo de pesquisa buscando apresentar, vivenciar e discutir a linguagem. É a oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.
O larp desta semana é Sê um viajante numa noite de inverno, uma experiência sobre narrativas, viagens e abandono. Criado por Luiz Pradoinspirado por Knulp, de Herman Hesse, Sê um viajante numa noite de inverno trânsita entre o cotidiano e o fantástico. Seu roteiro de aplicação foi lançado de maneira independente em versão digital em outubro de 2015.
encontro é gratuito e acontece das 14 às 17 horas. O Sesc Itaquera fica na Avenida Fernando Espírito Santo Alves de Mattos 1000, ao lado do Parque do Carmo. A melhor opção de aceso é ir até a estação Itaquera do metrô e tomar o ônibus Gleba do Pêssego, que sai do terminal anexo à estação.
Confira abaixo as próximas datas e larps do Ciclo:
8/5 – Sê um viajante numa noite de inverno
15/5 – Três homens de terno
22/5 – Uma tarde no museu
29/5 – Morte ao Artista!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Letícia Freire - Ciclo de iniciação ao larp no SESC Itaquera - 1/5


Nesse domingo, 1 de maio, começa o Ciclo de iniciação ao larp no Sesc Itaquera. Concebido pelo NpLarp e realizado por Luiz Prado, o ciclo propõe um espaço de apresentação, vivência e discussão da linguagem, oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.
O larp escolhido para abrir o ciclo é o inédito Letícia Freire, uma experiência na qual os participantes criam um documentário se alternando nos papéis de cineastas e entrevistados, construindo juntos a identidade e a história de Letícia Freire. O resultado é tanto um jogo de representação quanto uma ficção audiovisual.
encontro é gratuito e acontece das 14 às 17 horas. O Sesc Itaquera fica na Avenida Fernando Espírito Santo Alves de Mattos 1000, ao lado do Parque do Carmo. A melhor opção de aceso é ir até a estação Itaquera do metrô e tomar o ônibus Gleba do Pêssego, que sai do terminal anexo à estação.
Confira abaixo as próximas datas e larps do Ciclo:
1/5 - Letícia Freire8/5 – Sê um viajante numa noite de inverno15/5 – Três homens de terno22/5 – Uma tarde no museu29/5 – Morte ao Artista!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Ciclo de iniciação ao larp está de volta, dessa vez no Sesc Itaquera


A partir de 1 de maio, Luiz Prado organiza a segunda edição do Ciclo de iniciação ao larp, espaço dedicado a apresentação e experimentação da linguagem promovido pelo NpLarp.

Durante todos os domingos do mês, Prado apresenta e realiza cinco jogos de sua própria autoria, mesclando produções inéditas com trabalhos realizados anteriormente.

Assim como na primeira edição do ciclo, realizada no Sesc Ipiranga em 2015, os larps escolhidos exploram múltiplas temáticas e estruturas, introduzindo novatos e experimentados à diversidade da linguagem.

Os encontros acontecem no Sesc Itaquera, das 14h às 17h,  e integram a programação do Espaço de Tecnologias e Artes (ETA) da unidade. A participação é gratuita e não é necessário fazer inscrição prévia. Basta aparecer no horário.

O Sesc Itaquera fica na Avenida Fernando Espírito Santo Alves de Mattos 1000, ao lado do Parque do Carmo. A melhor opção de aceso é ir até a estação Itaquera do metrô e tomar o ônibus Gleba do Pêssego, que sai do terminal anexo à estação.

Os larps que integram o ciclo e suas datas:

1/5 - Letícia Freire
8/5 - Sê um viajante numa noite de inverno
15/5 - Três homens de terno
22/5 - Uma tarde no museu 29/5 - Morte ao Artista!

terça-feira, 28 de julho de 2015

monstros - Ciclo de iniciação ao larp no SESC Ipiranga - 31/7



No dia 31 de julho será realizado o quarto e último encontro do ciclo de iniciação ao larp no Sesc Ipiranga, realização do NpLarp a convite da Confraria das Ideias. Espaço de apresentação, vivência e discussão da linguagem, o ciclo é a oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.
Nesta sexta-feira acontecerá monstros, uma experiência sobre os horrores que consomem os homens. Produção inédita de Luiz Prado, voltada para a representação física e o horror psicológico, monstros terá sua primeira realização no Sesc Ipiranga.
encontro é gratuito e acontece das 19 às 22 horas. O Sesc Ipiranga fica na Rua Bom Pastor, 822.
Agradecimentos a Bob Nogueira pelo cartaz, feito a partir da obra Saturno devorando a un hijo, de Goya, a partir do projeto original de Luiz Falcão.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Três homens de terno - Ciclo de iniciação ao larp no SESC Ipiranga - 24/7



Acontece nesta sexta-feira, 24 de julho, o terceiro encontro do Ciclo de iniciação ao larp no Sesc Ipiranga, realização do NpLarp a convite da Confraria das Ideias. Buscando apresentar, vivenciar e discutir a linguagem através de produções do próprio NpLarp, o ciclo é a oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.
Nesta semana será realizado o larp Três homens de ternouma experiência sobre escolhas feitas diante do desconhecido. Com ênfase radical na construção colaborativa do larp, Três homens de terno é um estudo prático da essência da linguagem e um convite à criação, a partir das próprias estruturas, das narrativas que vivenciamos.
Três homens de terno foi elaborado em 2013 e apresentado pela primeira vez no idth: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; vertical-align: baseline;">labLARP, espaço de experimentação da linguagem organizado por Jonny Garcia com apoio do NpLarp na cidade de São Paulo. O Sesc Ipiranga abrigará a segunda realização do larp feita pelos autores.
Mais uma vez, o encontro é gratuito e acontece das 19 às 22 horas. O Sesc Ipiranga fica na Rua Bom Pastor, 822.
Confira abaixo as próximas datas e larps do Ciclo:
24/7 – Três homens de terno
31/7 – Monstros
Agradecimentos a Bob Nogueira pela arte do cartaz, feita a partir do projeto original de Luiz Falcão.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Álcool – Ciclo de iniciação ao larp no SESC Ipiranga – 17/7


Sexta-feira 17 de julho traz o segundo encontro do Ciclo de iniciação ao larp no Sesc Ipiranga, realização do NpLarp a convite da Confraria das Ideias. Durante o ciclo serão realizados larps desenvolvidos pelo próprio núcleo de pesquisa buscando apresentar, vivenciar e discutir a linguagem. É a oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.
O larp desta semana é Álcool, uma experiência sobre nossa relação com a bebida e com as pessoas ao nosso redor. Álcool teve seu roteiro de aplicação publicado pela revista acadêmica Mais Dados e foi realizado duas vezes durante 2014: no Fantasy Arts, em Sorocaba, e no Laboratório de Jogos, em Belo Horizonte. Essa será a primeira vez que o larp acontecerá na cidade de São Paulo.
encontro é gratuito e acontece das 19 às 22 horas. O Sesc Ipiranga fica na Rua Bom Pastor, 822.
Confira abaixo as próximas datas e larps do Ciclo:
17/7 – Álcool
24/7 – Três homens de terno
31/7 – Monstros

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ciclo de iniciação ao larp no Sesc Ipiranga



Nessa sexta-feira, 3 de julho, começa um ciclo de iniciação ao larp no Sesc Ipiranga, realização do NpLarp a convite da Confraria das Ideias. Serão 4 encontros de apresentação, vivência e discussão da linguagem. Oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.

O ciclo abre com Café Amargo, um larp sobre despedidas e a importância do outro em nossas vidas. Os encontros são gratuitos e acontecerão sempre das 19 às 22 horas. O Sesc Ipiranga fica na Rua Bom Pastor, 822. Não é necessário realizar inscrição prévia, basta comparecer no horário de início.

A programação completa com datas e larps segue abaixo:

3/7 – Café Amargo
17/7 – Álcool
24/7 – Três homens de terno
31/7 – Monstros

sexta-feira, 27 de março de 2015

Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional?

O NpLarp esteve presente no Laboratório de Jogos 2014, que aconteceu em Belo Horizonte, com uma série de larps e exposições. Agora, essas intervenções começam a ganhar a internet, graças ao trabalho do Eduardo Caetano.

O primeiro vídeo das participações do NpLarp é a fala de Luiz Prado Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional? Confira abaixo:


Em 2015, o Laboratório de Jogos acontece em Porto Alegre, nos dias 25 e 26 de abril. O NpLarp estará novamente no evento, fortalecendo ainda mais a relação com os produtores de larp e rpg nacionais.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Oficina do NpLarp no Projeto Redigir

O Projeto Redigir é um trabalho de extensão universitária realizado por estudantes da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Nele, os estudantes oferecem cursos gratuitos para pessoas de baixa renda, com foco no desenvolvimento da comunicação e da cidadania. Inspirado pela pedagogia de Paulo Freire, o Redigir busca subverter as formas tradicionais de educação e empoderar os educandos através do estímulo ao questionamento e ao pensamento crítico.

No dia 27 de outubro, os caminhos do NpLarp e do Redigir se encontraram, através de uma oficina de larp com os educadores e educandos do projeto. Nosso objetivo foi apresentar a linguagem, destacando o protagonismo e a colaboração inerentes aos processos narrativos do larp, estabelecendo assim relações com as propostas do curso.

O encontro teve início com uma breve fala sobre as características gerais do larp, partindo rapidamente para a prática com Uma tarde no museu, larp de Luiz Prado. Realizamos os exercícios preparatórios propostos para o jogo e, em seguida, começamos a representação.

Dos 24 participantes, 10 escolheram ser visitantes, 5 ficaram como monitores do museu e 9 decidiram encarnar as obras de arte. O larp foi realizado em espaço aberto, com os grupos observando e discutindo apenas as obras representadas pelos demais – diferentemente da aplicação anterior do jogo, feita no Museu de Arte Contemporânea da USP, na qual obras do próprio museu entraram na experiência.

Enquanto parte do grupo representou trabalhos originais, várias pessoas decidiram recriar obras de arte famosas, estabelecendo novas questões para elas. Tivemos uma pintura da Monalisa, uma escultura móvel do Homem Vitruviano, uma encenação de Hair. As esculturas dominaram a exposição, mas representantes do teatro, da pintura e da instalação também surgiram no museu.

Algumas obras aguçaram a curiosidade dos visitantes e geraram intensos debates, como as esculturas “Narciso olhando seu reflexo no lago” e “Solidão”. Outras, em contrapartida, surpreenderam pela irreverência, como a instalação “Ninja Gaiden”, que atacava os grupos ao menor sinal de aproximação.

Cada monitor foi responsável por acompanhar dois visitantes, e vários dos personagens eram estudantes. Alguns grupos buscaram conexão entre os trabalhos e estabeleceram temas e roteiros para a exposição. Motivados pelas propostas dos exercícios de preparação, os monitores deixaram o público expor suas interpretações sobre as obras, criando colaborativamente os significados de cada uma delas.

 (Uma tarde no museu. São Paulo, 2014. Imagens por Luiz Prado) 

Deixando o museu, nossa próxima atividade foi o larp Calendário, de Caue Reigota. Dessa vez, separamos os participantes em dois grupos de 12 pessoas, realizando aplicações simultâneas do jogo. Representando os meses do ano, cada um tinha a tarefa de definir um novo feriado para o calendário.

Seguindo caminhos distintos, ambos os grupos decidiram que o feriado seria de Agosto. Num deles, o próprio Agosto monopolizou a discussão e convenceu a todos da necessidade da nova data: o "dia da reconciliação", a segunda-feira seguinte ao dia dos pais. O novo feriado viria dar aos pais separados um dia a mais com seus filhos e, ao mesmo tempo, evitaria reclamações de ex-esposas a respeito do horário em que as crianças voltavam para casa no domingo.

Já o outro grupo chegou ao feriado não pelo convencimento, mas pelo consenso. Todos concordaram que Agosto era merecedor e estabeleceram 19 de agosto como o "dia da gratidão", deixando claro que a data não deveria ser apropriada pelo comércio.  O dia 19 foi escolhido pelo significado dos números, conforme o grupo declarou na discussão pós-larp.

Nas duas aplicações de Calendário, as pessoas tiveram alguma dificuldade ao representar seus personagens, graças à natureza abstrata dos papéis. Isso fez com que, em vários momentos, a discussão acontecesse entre os próprios participantes, e não entre os meses do ano. Provavelmente, a realização de alguns exercícios preparatórios específicos para o jogo – como feito para Uma tarde no museu - teria facilitado a criação dos personagens.

Além disso, o número de participantes em cada grupo contribuiu para que algumas pessoas estivessem pouco presentes na discussão, já que nas duas realizações o larp aconteceu num modelo de fórum - os personagens falavam para todo o grupo, sem conversas paralelas. Novamente, um trabalho de preparação teria auxiliado neste ponto. Mesmo com essas questões, contudo, a avaliação da experiência pelos participantes foi positiva.

 (Calendário. São Paulo, 2014. Imagens por Luiz Prado)

Após os larps, fizemos uma discussão sobre o encontro, socializando as experiências vividas nas duas atividades. Pelos comentários dos educandos e educadores, foi um dia repleto de aprendizado. E, com certeza, também foi para o NpLarp. Utilizamos pela primeira vez Uma tarde no museu e Calendário como jogos de introdução ao larp, com resultados muito positivos. Os exercícios do primeiro se mostraram eficazes para a construção dos personagens e os distintos temas e propostas dos larps serviram para apresentar parte da diversidade da linguagem. Mesmo as dificuldades que apareceram vieram como lição para larps futuros.

Algumas pessoas, no final do dia, disseram que estão ansiosas por um novo encontro. O NpLarp também.


Mais imagens da oficina na página do NpLarp no facebook: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.627980553981577.1073741828.168350336611270&type=1

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

The Analog XP #3: o larp em cena


The Analog XP é uma publicação online, em língua inglesa, criada por Encho Chagas, desenvolvedor de jogos e autor do Pulse, campeão do Game Chef Mundial 2013. O foco da The Analog XP é a comunidade brasileira de criadores de jogos analógicos, apresentando artigos, entrevistas e jogos nacionais para divulgação mundo afora.

Nesta terceira edição, a revista é totalmente dedicada ao larp. Traz um resumo de "New Tastes in Brazilian Larp", artigo de Luiz Falcão publicado no The Cutting Edge of Nordic Larp, um dos livros oficiais do Knutpunkt 2014. Apresenta também artigos de Goshai Daian, do Fronteiras de Akitan ("Frontiers of Akitan" e "Beutiful Lies"), um texto histórico do pesquisador Clayton Mamedes ("The Reality in Brazil") e outro artigo de Luiz Falcão ("Why calling it larp?").

Além disso, a publicação traz também um mapa apresentando vários grupos brasileiros de larp. E, fechando a edição, a íntegra de Listen at Maximum Volume (Ouça no Volume Máximo), larp de Luiz Prado publicado pelo Boi Voador.

A edição está disponível na íntegra no endereço: http://analogxp.wordpress.com/2014/08/28/the-analog-xp-issue-3/

quarta-feira, 23 de abril de 2014

NpLarp e Boi Voador no Laboratório de Jogos 2014

Foto por Luiz Lurugon.
Nos dias 18, 19 e 20 de abril estivemos em Belo Horizonte, na segunda edição do Laboratório de Jogos. Direcionado para produtores de jogos analógicos - rpg, larp e jogos narrativos em geral -  o evento contou com diversas palestras, mesas-redondas e testes de jogos. Dentro da extensa programação, o Boi Voador e o NpLarp contribuiram com alguns jogos, falas e palestras.

Jogos


O primeiro dia do Laboratório começou com Álcool, larp de Luiz Prado ainda não publicado, sobre o papel da bebida na vida das pessoas. Foram três aplicações do jogo, variando do humorístico para o melancólico. O retorno dos jogadores foi bastante interessante, com considerações sobre aspectos mecânicos do larp e as implicações emocionais que a experiência trouxe para cada um. Como preparação para o Álcool realizamos 3 de mim, poema de representação de Matthijs Holter.

3 de mim, preparação para Álcool. Foto por Igor Smith.
No segundo dia tivemos Morte Branca, larp dinamarquês de Nina Runa Essendrop e Simon Steen Hansen, inédito no Brasil. Levamos o larp para o evento instigados pela total ausência de falas durante o jogo e por sua intensa oficina preparatória, na qual os personagens são construídos através de exercícios corporais. Essas duas características, aliadas à centralidade da representação pelo corpo, tornam a aplicação de Morte Branca um marco para as pesquisas do Boi Voador e do NpLarp.

Morte Branca. Foto por Luiz Falcão.
Fechando a programação de jogos, aplicamos no terceiro dia do evento O Jogo do Bicho, larp original do Boi Voador sobre criminosos no Brasil dos anos 70. Propondo a construção aleatória de personagens através de cartas e mecânicas inspiradas na atmosfera da obra de David Lynch, O Jogo do Bicho é o desenvolvimento de Máfia, realizado no Laboratório de Jogos 2013. Várias mudanças foram feitas em relação ao jogo de 2013 e o debate pós-larp foi muito gratificante, com os participantes analisando aspectos da construção dos personagens e das mecânicas do jogo, destacando o que funcionou e sugerindo alterações nos pontos que geraram ruídos durante a experiência.

Cenário de O Jogo do Bicho. Foto por Igor Smith.

Apresentações


Além dos larps, tivemos também uma série de falas e discussões durante o evento. Em Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional, Luiz Prado apresentou uma retrospectiva da cena brasileira tendo como ponto de partida a edição 2013 do Laboratório de Jogos. Durante a fala, destacou a importância do Laboratório para o intercâmbio entre produtores de diversas partes do país, o surgimento de novos espaços de jogo e o aumento de diários de produção, críticas e resenhas dos jogos.

"Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional". Foto por Luiz Lurugon.
Na palestra As palavras tem poder - como uma simples definição mudou os rumos do larp no país, Luiz Falcão discorreu sobre o impacto que a adoção do termo larp teve no próprio entendimento da prática, transformando-a de simples modalidade de rpg para uma arte autônoma, capaz de abrigar múltiplas experiências, formatos e temáticas.

Já em Cultura Participativa e Estética Relacional, Falcão apresentou as ideias expressas no livro Deltagar Kultur (do grupo sueco Interacting Arts) e na obra de Nicolas Bourriaud, discutindo as noções de artista, espectador, interator e participante, relacionando-as com o larp e o rpg.

Falcão participou também na mesa redonda Como trabalhar com jogos de representação - para além de publicar um livro ao lado de Encho Chagas, autor de Pulse, jogo ganhador do Game Chef 2013, Rafael Rocha da ONG Narrativa da Imaginação e Danilo Kobold da loja/editora Kobold´s Den. A proposta da mesa foi apresentar diversos casos de projetos relacionados ao larp e ao rpg que não envolvem diretamente a publicação editorial.

"Como trabalhar com jogos de representação - para além de publicar um livro". Foto por Luiz Lurugon.
Fechando a programação proposta pelo NpLarp e o Boi Voador, a palestra de Falcão As bailarinas de Degas mostrou como o desenho deixou de ser uma técnica considerada apenas preparação para a pintura e a escultura e alcançou a condição de arte autônoma. A fala procurou estabelecer um paralelo com o larp, praticado por companhias teatrais como aquecimento e exercício, sem o reconhecimento de sua autonomia.

"As bailarinas de Degas". Foto por Igor Smith.
Assim como aconteceu na edição 2013 do Laboratório de Jogos, discutimos muitas ideias, conhecemos iniciativas inovadoras tanto em larp quanto em rpg e tivemos momentos muito bons com a realização dos jogos. Contudo, o mais importante com certeza foi rever os velhos rostos e conhecer os novos produtores. Saímos do evento com a certeza de que o larp e o rpg indie só tem a ganhar com uma intensa troca de ideias e experiências, livre de impedimentos - exatamente a proposta do Laboratório de Jogos.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Sangrando em cacos de vidro

uma resenha sobre Cegos,

por Luiz Prado
Acho ofensivo com toda a experiência de Cegos, o larp de Jonny Garcia baseado em Ensaio sobre a Cegueira, começar isso assim, de banho tomado, noite bem dormida e estômago cheio. Mas, pelo menos, serve para indicar que a pancada foi forte e cobrou umas horas de descanço para o corpo e a cabeça.

Na maior parte dos larps brasileiros até agora, a linguagem está associada à diversão, ao lazer e à brincadeira. Você vai num larp procurando horas agradáveis, basicamente. Existe uma espécie de acordo implícito entre organizadores e participantes de que tudo vai ser bom e de que, mesmo nas propostas mais pesadas, haverá um cuidado, uma preocupação com o bem-estar físico e emocional de todo mundo.

Com Cegos não. Cegos é escroto. Propositalmente escroto.

Ríspido, escasso e violento

O enredo é seco: um grupo de pessoas perde a visão sem explicações e é levado até um apartamento esvaziado em lugar nenhum, uma residência de quarentena mantida por militares. Enquanto ficam lá, esperando uma cura, precisam enfrentar o racionamento de comida, o frio, a arbitrariedade dos guardas e o tédio. Para garantir as sensações dessa proposta, a aproximação entre jogador e personagem é estreita e a linha entre um e outro, tênue - fome, frio, agressão e humilhação são partilhados por ambos, o tempo todo. Não é preciso fingir: você sente o vento gelado nos braços e a humilhação estocando seu orgulho.

A agressão começou com a duração do larp. Foram 24 horas na escuridão, com olhos vendados, proibição de abandonar o personagem - entrar em off - e apenas 5 minutos para uma ligação noturna de "estou vivo e mais ou menos bem, família". Outro soco na boca do estômago foi a falta de informação: a trama vaga e repleta de lacunas torceu a imaginação dos participantes. Os militares encarregados de manter o grupo sob controle também colaboraram sendo lacônicos e ríspidos, ignorando pedidos de explicação e vomitando ordens sem qualquer esclarecimento.

A escassez de recursos básicos também foi outra paulada. Foram horas de fome, com a comida vindo na forma de uma ou duas bisnagas jogadas no chão de tempos em tempos. Os banheiros não tinham papel higiênico ou sabão. A água era trazida em galões e precisava ser partilhada no gargalo, na hora, por todos. Um cobertor e um travesseiro foram negociados por 60 reais - dinheiro vivo, que não foi devolvido no final do larp. Um participante passou a noite no chão frio e outro agachado dentro de um guarda-roupas com portas fechadas para conseguir algum calor.

Completando a violência, agressão física, real e transbordante do mundo do jogo para a carne do jogador. Vento frio, água gelada, imobilizações, agarrões, empurrões. A cada tentativa de escapar ou subverter as regras, uma punição mais dura, numa escalada de afrontas físicas e psicológicas perigosamente na fronteira entre o jogo e o não-jogo. Todos os perigos que o larp passou anos tentando evitar, ali, de uma vez, deliberadamente explícitos e obscenos.

Mas para onde tudo isso levou? Do que falou a experiência de Cegos?
fotos Jonny Garcia

Linhas tênues

Por um lado, falou de fragilidade, revolta e submissão. A falta de visão e a dependência em relação aos guardas gritaram o tempo todo nos ouvidos, lembrando-nos o quanto estávamos frágeis e como odiávamos isso. Lembrou-nos de que precisávamos uns dos outros e de que cada migalha era um presente. Essa fragilidade percorreu todo o larp e garantiu a passagem da revolta inicial, com planos de fuga ingênuos e resistências inúteis, para a submissão amedrontada e esperançosa, com a aceitação de regras autoritárias e a obediência sem questionamentos.

Mas Cegos falou também sobre as linhas tênues entre jogador e personagem e sobre a responsabilidade coletiva na construção do larp. A escassez de informações sobre enredo e cenário causou incertezas nos participantes - algumas programadas, outras acidentais - que muitas vezes não sabiam o que fazia parte ou não do universo do jogo. Contudo, ao invés de uma postura reativa, à espera de explicações, os jogadores agarraram essa incerteza e traduziram-na como liberdade para co-autoria, ampliando o larp em múltiplas direções, desenvolvendo aspectos do enredo e do cenário à medida que o próprio jogo acontecia, graças às suas próprias contribuições e independentemente da organização. Dois exemplos: o som de crianças vindo da rua - que obviamente não havia sido produzido pela organização, mas que tampouco nos haviam dito para ignorar - serviu de base para teorias sobre o local onde estávamos confinados. Da mesma forma, o fotógrafo da organização tornou-se parte da história e foi incorporado ao larp - mesmo sem sabermos se deveríamos ignorá-lo ou considerá-lo elemento diegético. As informações apreendidas pelos sentidos dos jogadores foram ressignificadas como conhecimentos dos personagens, sem a intermediação da organização e, melhor ainda, com consciência de que muitas delas não faziam parte da produção prévia.

Outros exemplos dessas fronteiras tênues surgiram nas longas conversas sobre histórias de vida, ideologias ou mesmo trivialidades, nas quais, graças aos papéis construídos a partir do conceito de close to home - no qual os personagens são próximos da realidade do jogador - muitas vezes não era possível identificar se a fala era do jogador ou do personagem. Quando alguém descrevia a irmã mais nova, estava falando realmente de sua irmã ou inventava uma história? Quando alguém cantava uma canção, esta fazia parte do repertório do participante ou do personagem?

Contudo, quando essa indefinição chegou à confrontação física tivemos momentos críticos e, por um momento, eu mesmo pensei que o larp seria interrompido. Após sucessivas humilhações e ofensas cometidas pelos guardas, um personagem se atracou com dois dos militares, rolando pelo assoalho enquanto outro participante era mantido no chão por um terceiro membro da organização. Não estava claro para ninguém aonde aquilo iria terminar e quando a resistência física deixaria de ser representação para se tornar raiva e revolta do próprio jogador. Caso alguma situação passasse dos limites, qualquer um poderia gritar PARE ou SUPORTE e imediatamente a ação seria interrompida, mas a tensão do momento não garantia que essas palavras de segurança seriam evocadas a tempo. Felizmente, graças à maturidade dos participantes, tudo terminou bem para a saúde dos jogadores, apesar dessa rebelião ter mantido um membro do grupo por quase 10 horas afastado dos demais, como castigo pela insubordinação.

Um larp perigoso

Cegos foi um larp perigoso. Nublou as fronteiras entre jogo e não-jogo e tensionou os corpos e as cabeças dos participantes. O tempo todo seguiu no meio fio, oscilando entre a continuidade e a interrupção do larp, a manutenção da ideia original do criador e as propostas dos jogadores, o faz-de-conta e o real. Seu desenho cheio de lacunas e a opção de fazer o jogador sentir o mesmo que o personagem poderia ter gerado um desastre com um grupo menos maduro de participantes. Parte desse perigo poderia ter sido evitada com uma revisão do desenho do larp e o estabelecimento de acordos com o grupo: até onde podemos e queremos ir? Isso vale tanto para contatos físicos como para a liberdade de co-autoria, algumas vezes posta em dúvida pela ausência de um comentário positivo no manual do jogador.

Por outro lado, a outra parte desse perigo não é um problema, mas um aviso que me agrada muito: este é um território sério, para quem está disposto e conhece as consequências de pisar nele, para quem escolhe conscientemente caminhar entre cacos de vidro. Com Cegos, o cenário nacional do larp dá mais um passo importante para afirmar o valor artístico da linguagem e sua capacidade de suscitar questões e emoções profundas, para além do campo da diversão. É mais um caminho para a linguagem, marcado com rastros de sangue e cacos de vidro.

por Luiz Prado