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terça-feira, 1 de julho de 2025

Funções dos Role-Playing Games, de Sarah Lynne Bowman

Lançado originalmente em 2010, Funções dos Role-Playing Games: Como os Participantes Criam Comunidade, Resolvem Problemas e Exploram Identidade ganha finalmente sua versão em Português pela já conhecida parceria entre Provocare Editora, NpLarp e, agora, com o reforço do Selo Mancha.

Uma leitura fundamental nos estudos dos RPGs, do role-playing e dos jogos de representação em geral, o livro já é muito conhecido no Brasil - e agora se torna acessível a um público maior com a tradução do também pesquisador Tadeu Rodrigues Iuama, que também prefacia a edição. Em português e totalmente gratuito!

Funções dos Role-Playing Games faz uma abordagem analítica do mundo dos jogos de representação, fornecendo um arcabouço teórico para a compreensão de suas funções psicológicas e sociológicas. Às vezes descartado como escapista e potencialmente perigoso, o role-playing na verdade incentiva a criatividade, a autoconsciência, a coesão do grupo e o pensamento "fora da caixa". O livro também oferece uma observação participante etnográfica detalhada em role-playing games, apresentando entrevistas perspicazes com 19 participantes de jogos de mesa, live action e virtuais.

Sarah Lynne Bowman é acadêmica, designer de jogos e organizadora de eventos. Atualmente é professora sênior do Departamento de Design de Jogos da Universidade de Uppsala. Ela recebeu seu bacharelado e mestrado da Universidade do Texas em Austin em Rádio-TV-Filme, bem como seu doutorado da Universidade do Texas em Dallas em Artes e Humanidades. Além de Game Design, Bowman lecionou nas áreas de Humanidades, Inglês e Comunicação. Ela também foi Coordenadora do Programa de Estudos de Paz e Conflito no departamento de Estudos Interdisciplinares do Austin Community College de 2020 a 2022. Em Uppsala, Bowman é membro fundadora do grupo de pesquisa Transformative Play Initiative, que investiga o design e a prática de role-playing games como veículos de mudança pessoal e social. 

Americana, Bowman, que hoje mora na Suécia e atua internacionalmente, é seguramente uma das maiores pesquisadoras acadêmicas da área e, sem dúvida, uma das maiores articuladoras também do cenário do Larp no mundo, com fortes relações inclusive com o Brasil - como a participação no Simpósio RPG, Larp e Educação, a publicação de artigos nas revistas Tríade e REU, o intercâmbio com Tadeu Rodrigues Iuama e Leandro Godoy e a participação no projeto Larpocracy - que terá uma de suas etapas realizada no Brasil, na programação expandida da COP30, em Belém.

Você pode fazer o download do livro em quaisquer das opções abaixo

terça-feira, 9 de novembro de 2021

A Arte do Encontro, de Tadeu Rodrigues Iuama

Em uma nova parceria com o pesquisador Tadeu Rodrigues Iuama (autor de O Verso da Máscara e tradutor de Artes Participativas) e com a Editora Provocare, o NpLarp participa da publicação de mais um livro em domínio público.

A Arte do Encontro: Ludocomunicação, larps e gamificação crítica é um livro criado a partir da tese de doutorado do pesquisador, gestada na Universidade Paulista, dentro do grupo de pesquisas Mídia e Estudos do Imaginário.

Dividida em uma pesquisa bibliográfica crítica acerca da gamification e numa autoetnografia da participação em larps, a pesquisa propõe um modelo lúdico e, portanto, comunicacional, pautado pela complexidade, pela contra-hegemonia e pela ecologia. Por ludocomunicação, conceito defendido em A Arte do Encontro, compreende-se um contraponto à gamification – pautada pela competividade e pela virtualização – que visa a utilização de dinâmicas lúdicas para promover a formação e manutenção de relações comunitárias.

O livro conta com prefácio do Prof. Dr. Jorge Miklos (que também orientou a pesquisa), e posfácio da Profª. Drª. Míriam Cris Carlos Silva (que também é a responsável pela Provocare, editora do livro). 

Entre a versão da tese e essa versão em livro, o texto contou com uma revisão editorial do Luiz Prado e com a diagramação do Luiz Falcão, ambos no NpLarp – Núcleo de Pesquisa em Larp e Artes Participativas. 

Você pode faer o download do livro em quaisquer das opções abaixo

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Um Manifesto para os Laogs - Live Action Online Games

por Gerrit Reininghaus
publicado no nordiclarp.org em 14/06/2019


Laog
é a abreviação para live action online game - e isso diz tudo, não é? Podemos jogar larp quando estamos atrás de nossa câmera de vídeo. Podemos jogar com pessoas de todo o mundo e estar 100% no personagem. Podemos usar metatécnicas, estar completamente no personagem (podemos dizer, imersos 360 graus) ou sair dele para definir o jogo em atos.

Laog é um domínio de design que queremos explorar e definir criando e jogando jogos com ele.

Este documento é sobre o que aprendemos, o que imaginamos e o que recomendamos.

[Aviso: não estamos presos ao termo laog - 'larp digital' ou 'larp online' também funcionam. O que depõe a favor de laog: não é um termo derivado de outras formas de jogo.]

Captura de tela de Gerrit Reininghaus de uma sessão de jogo de The Election of the Wine Queen. O jogo foi publicado no Codex Sunlight, que poderá ser encontrado em breve no DriveThruRPG. As pessoas na imagem deram permissão para seu uso. Usado com permissão do autor.

Jogando Online

Jogar online nos fornece algumas ferramentas extras, exige boas práticas e impõe certas restrições.

Mais ferramentas

Ter uma janela de bate-papo para interação fora dos personagens é uma oportunidade em muitos aspectos: metatécnicas, check-ins de segurança, perguntas técnicas e sobre regras etc.

A distância física entre os jogadores permite, sob certas circunstâncias, que nos sintamos mais seguros. A porta de saída está sempre aberta e fica a apenas um clique de distância. Você pode voltar para casa um segundo depois que decidiu partir. Os bate-papos privados entre jogadores podem ser uma maneira adicional e não intrusiva de fazer check-in, para um debrief contínuo, para trabalhar a experiência.

terça-feira, 3 de abril de 2018

O Verso da Máscara, de Tadeu Rodrigues Iuama

É com grande satisfação que anunciamos a publicação do livro O Verso da Máscara: Processos Comunicacionais nos larps e RPGs de mesa, do pesquisador Tadeu Rodrigues Iuama.


O livro é resultado do mestrado do pesquisador, defendido em 2016, revisado e diagramado pelo NpLarp e está sendo publicado - sob domínio público! - pela Editora Provocare. A publicação também conta com prefácio de Mônica Martinez e posfácio de Jorge Miklos.


A versão impressa pode ser adquirida com o autor e, em breve, com o NpLarp.

Uma das marcas de nossa condição humana é a capacidade de dar vida aos vários “eus” que nos habitam, ou, nas palavras de Fernando Pessoa, a possibilidade de outrar-nos. Podemos nos transformar, jogando, naquilo que não somos, de fato, em nosso cotidiano. Podemos viver mundos distintos, diferentes culturas, situações inimagináveis, lugares impossíveis. O teatro, a literatura, o cinema, as histórias em quadrinhos, as brincadeiras, entre tantas outras invenções humanas, são artifícios para alargarmos a nossa experiência; são, portanto, modos de jogar com outros humanos e, mais do que isto, são jogos que empreendemos com nosso próprio ser, pois permitem testar nossos limites e habilidades. Oferecem-nos a oportunidade de uma transformação da subjetividade, sem riscos imensuráveis. Retiram-nos do cotidiano para talvez nos devolver mais plenos e conscientes do que somos, não somos e desejamos ser. Nesta obra, os jogos narrativos - role playing games (RPG) e live action role play (larp) - são abordados a partir de suas características de produtos culturais e processos comunicacionais, por sua possibilidade de criarem vínculos e de trazerem à tona narrativas que remetem à experiência dos jogadores. Pensar os jogos como comunicação permite pensar a comunicação como jogo, como forma de nos adaptarmos às diversas arenas, regras, situações, adversários e parceiros com os quais nos relacionamos ao longo de nossa existência. Esta obra nos revela que, com a comunicação, jogamos para nos mantermos vivos em meio ao embate com os tantos que somos. Que a cada jogo, é o que esperamos, possamos criar uma versão melhor de nós mesmos.
Míriam Cristina Carlos Silva

sábado, 17 de dezembro de 2016

Elge Larsson

Hoje é um dia muito significativo para o larp, para mim, e para minha relação com o larp, por n motivos.

Primeiro, há exatos cinco anos eu estava realizando, com os companheiros Cauê Martins e Erika Bundzius, o larp A Clínica: Projeto Memento. Uma produção paradigmática, na minha trajetória no larp e para o larp no Brasil de uma maneira geral, como eu acredito e já deixei explícito em muitas palestras, artigos e inclusive na minha participação no Knutpunkt em 2014. Luiz Prado, que hoje toca os projetos do NpLarp, Boi Voador e FERVO junto comigo, estava entre os jogadores - e considera esse larp um ponto de virada também no seu entendimento da linguagem.

Segundo, eu descobri recentemente que o dia 17 de dezembro marcava, na Roma Antiga, o início das festividades da Saturnália, que é uma ocasião que, além de ter suas relações com a linguagem do larp, dá nome ao grupo de larp de Dourados - MS, encabeçado por Tig Vieira, que eu tenho a felicidade de ter incentivado e acompanhado à distância graças a generosidade e curiosidade deste interlocutor

E terceiro porque hoje, em algum lugar de Estocolmo, na Suécia, está sendo celebrado, enquanto escrevo essas linhas o Memorial Evening de Elge Larsson (1944–2016), uma noite dedicada à sua memória.


Elge deixou esse mundo para finalmente transgredir a realidade física (como disse Mike Pohjola na ocasião de seu falecimento) entre os dias 3 e 4 de novembro. Foi vítima do câncer, contra o qual lutava há anos. Quando o conheci - virtualmente - já estava doente. Lembro dele ter mencionado que não estava podendo viajar de avião, por conta de complicações de saúde.

Mais tarde, apresentou tamanha melhora que chegou a mencionar que talvez viesse para o Brasil, visitar um amigo - outro sueco que está morando aqui, e com o qual eu também me correspondia. A última coisa que eu disse a Elge Larsson foi “Come to Brazil, Elge”, em resposta àquela afirmação.

Mas o câncer é uma doença traiçoeira - e Elge voltou a piorar. Sua última postagem no facebook - a não ser é claro por um vídeo humorístico - foi um “cancer report” onde ele dizia que os médicos haviam lhe dado não mais que um ano de vida. Foram apenas alguns dias, infelizmente.

Quem passar os olhos pela linha do tempo de Elge naquela rede social poderá ter ideia do quanto ele era querido e amável. Os relatos e depoimentos, todos, concordam em vários aspectos. Ele era um homem muito generoso e com um espírito jovem. Recusava o título de “vovô do larp”, como recusava ser tratado de forma diferente por ser mais velho. Representava o encontro de duas subculturas, marginais e transgressoras: o movimento hippie e o larp. Era, para muitas pessoas, como um padrinho acolhedor, mas sobretudo, para a maior parte deles, um amigo. Há posts de muitas pessoas ali: de “celebridades” do mundo do larp como Martin Ericsson (da White Wolf) e Claus Raasted (dos larps de Harry Potter), de familiares, amigos e pessoas que o viram poucas vezes (especialmente alguns alunos seus da Faculdade de Magia e Bruxaria, onde ele costumava ser professor). De faixas etárias, nacionalidades e biografias completamente diferentes. Muitos parecem concordar com a importância que Elge teve em suas vidas - de alguma forma ele fez a diferença.


Eu não o conhecia pessoalmente, mas a morte de Elge me acertou com impacto profundo. Um impacto que dificilmente eu poderia imaginar que esse evento teria.

Eu conheci Elge através do coletivo Deltagar Kultur/Ineracting Arts. Foi um dos primeiros materiais do larp nórdico ao qual tive acesso - talvez antes mesmo de conhecer o Dogma 99. (Isso foi em 2009? 2010?) Trata-se de um coletivo sueco que, entre outras produções que me fascinaram (como uma atividade com máscaras em praça pública que parecia ser um larp, ou um mp3 para baixar e seguir as instruções na cozinha, que influenciou minhas pesquisas também no fazer teatral com o coletivo Sáfaro… avataravo) tinha publicado, no issuu, duas edições internacionais da revista Interacting Arts. “Nós somos o que acontece quando o escapismo contra ataca”. “Roleplaying Radical”. Eram os slogans da publicação, com forte teor político, que me deixou apaixonado.

Algum tempo depois, eu passei a acompanhar as demais atividades e publicações do grupo à distância. (Até seu fim, há alguns anos). Uma postagem singela no blog do Eirick Fatland (Tips & Traps) abriu minha cabeça de modo muito potente para o que significava esse diacho de “arte participativa”. E eu passei a namorar muito seriamente o livro Deltagar Kultur, por alguns anos, que só existia em sueco e estava disponível em copyleft pela internet.

A inquietação e curiosidade acabou me levando, em 2014, a procurar os autores diretamente para saber mais a respeito. Consegui o contato de dois deles, Elge Larsson e Gabriel Widding, que foram muito generosos e acolhedores. (Diga-se de passagem, duas palavras que parecem caracterizar Elge são “transgressão” e “generosidade”). Widding inclusive é quem organiza o evento da noite de hoje, em homenagem ao colega e amigo. Mais jovem e com uma pesquisa que engloba também o teatro, Widding tinha estado recentemente no Brasil para um festival de Teatro Épico. Mas quem deu atenção a minha curiosidade pelo Deltagar Kultur foi Elge Larsson. Os quatro autores haviam começado uma tradução para o inglês, que não havia andado por falta de um editor.

Deixando muito claro que estávamos na absoluta ilegalidade, Elge contrabandeou essa versão para mim - e foi o primeiro livro em inglês que eu li até o final. Vale dizer nesse ponto que apesar o meu envolvimento com a cena de larp internacional meu inglês é péssimo. O que nunca impediu Elge de elogiá-lo, mesmo que vez ou outra não entendesse nada do que eu dizia. Desse episódio em diante, conversamos bastante pela internet. Eu animado por ter um interlocutor sueco, mais velho e mais experiente que eu. Ele animado por ter um leitor engajado no Brasil (o que para alguém na Suécia deve ser bem bacana mesmo, visto que o livro em questão sequer havia sido publicado em inglês).

Passei a incorporar a leitura do Deltagar Kultur em meu repertório e, com autorização dos autores, a cavar aqui no Brasil uma oportunidade de publicá-lo em português. Elge Larsson e Gabriel Widding me garantiram que eles poderiam vir ao Brasil para o lançamento, caso isso realmente se concretizasse.

É aqui que a história ganha ares mais impactantes.

O contato com a editora que ia publicá-lo acabou esfriando, junto com a procura por um tradutor parceiro, que topasse dialogar comigo e com os autores sobre as possibilidades e especificidades da produção. Até que, no dia 18 de outubro deste ano, após a defesa de mestrado do colega sorocabano Tadeu Rodrigues Iuama, ele próprio retomou o assunto. “Agora que eu terminei o mestrado, vamos fazer aquela tradução do Deltagar”. Grande parceiro, professor de inglês e mestre em larp por uma faculdade de comunicação, a notícia não podia ser mais bem vinda. Combinei de apresentá-lo ao Elge Larsson, meu contato, assim que voltasse para São Paulo. Mas estávamos às vésperas do Encontro de RPG do CCJ, onde todos os anos acumulo muitas funções, e pedi para esperarmos alguns dias. Na semana seguinte, estava envolvido com os preparativos para a festa de aniversário da minha filha - e acabei não fazendo o combinado também. Tendo em vista minha demora, o próprio Tadeu Rodrigues o procurou. Elge foi solícito, como sempre, mas monossilábico. Enviou para ele todos os arquivos, os contato dos demais autores e a confirmação “Go Ahead”. Foi tudo o que ele disse. (isso foi no dia 30 de outubro).

No dia 4 de novembro, debatíamos eu e o Tadeu Rodrigues sobre minúcias da tradução. Dia 6, de manhã, foi ele quem me deu a notícia. Elge Larsson estava morto. Foi a primeira coisa que soube ao acordar.

Foi por um triz.

Eu deixei de apresentá-los. Deixei de trocar as últimas palavras afetuosas com o Elge (ele sempre era absolutamente afetuoso, mesmo sem me conhecer pessoalmente). Elge também não viria ao Brasil. Nem para ver seu amigo que está morando aqui, nem para o lançamento de seu livro em português. Eu não poderia conhecê-lo pessoalmente e passar alguns momentos com ele em um futuro Knutpunkt. Não poderia ouví-lo falar sobre o larp como possessão, ou qualquer outro assunto que ele viesse a desenvolver, quando meu inglês me permitisse entender o enunciado com tranquilidade.

Mais que isso.

Elge foi a primeira pessoa envolvida com larp, que eu conhecia e com quem eu dialogava, que eu “vi” morrer. Para mim, foi de certa maneira um aviso: Elge leva com ele todo o conhecimento que, de alguma forma, não passou adiante.

No início desse ano, eu me comprometi com uma missão - que como todo compromisso de ano novo, neglicenciamos - a produção de conhecimento é mais importante que disseminação de informação. Trabalhamos muito, mas falamos pouco sobre nosso trabalho. A morte de Elge me deu a dimensão da efemeridade desse conhecimento acumulado. O que não registrarmos em textos, vídeos, o que não passarmos adiante em histórias e convívio, se perderá.

A linha do tempo de Elge no facebook passou a revelar uma porção dessas histórias. (Uma infinidade de outras, ele levou consigo). Ele é um dos organizadores do larp Dragonbane (aquele com o dragão de 15 metros). Mas até então eu não sabia que ele havia pedido dinheiro emprestado para o Claus para cobrir uma dívida de produção do jogo - e que a relação dele com dinheiro era séria, mas desapegada. Eu também não sabia que foi ele quem traduziu A Jornada do Herói, do Campbell, para o sueco. Ele também apresentou em 2014 (o mesmo ano em que o Wagner Luiz Schmit e eu apresentamos meu artigo no Knutpunkt) uma fala brilhante sobre imersão como possessão, cujas anotações ele publicou na internet. A gravação em vídeo sofreu algum problema e nunca foi compartilhada, mas outro amigo estava lá assistindo, o português José Jácome, e me deu alguns detalhes sobre como foi a exposição.

Eu demorei alguns dias para entender e interpretar o que essa perda significava para mim. Uma sessão com meu terapeuta foi toda dedicada a compreender o que isso queria dizer. O emaranhado de relações simbólicas, de coincidências, de sincronicidades, influências e correspondências.

Com meu psicólogo, entendi que a vida de uma pessoa ganha outro sentido no momento de sua partida. E pessoas do mundo inteiro, nesse momento, estão celebrando essa passagem nesta noite. Em Elge, perdi um interlocutor generoso, e ganhei um modelo sobre o qual refletir, uma obra sobre a qual me debruçar.

Elge foi embora, restam os resultados de seu trabalho, as influências pequenas e/ou grandiosas que ele deixou em sua passagem por nosso mundo - e uma porção de ensinamentos e sensibilizações que ainda vão se desdobrar para sempre, no que permaneceu de suas ações, e nas ações daqueles nos quais algo dele permaneceu.


* Luiz Falcão é fundador do Nplarp.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Defesa de mestrado de Tadeu Rodrigues Iuama

No dia 18 de outubro, terça-feira, Luiz Falcão e Luiz Prado estiveram na Uniso, Universidade Sorocaba, para assistir a defesa de mestrado do companheiro Tadeu Rodrigues Iuama, o Barba.

Conhecemos o Barba em 2013, quando levamos o Boi Voador para um evento onde o Taberna Terra Rasgada - grupo do qual ele faz parte - estava organizando a programação de RPG. Tendo conhecido o Falcão em um grupo de Facebook ligado a RPG, sabia que ele fazia esse tal de live-action. Foi um convite despretensioso...

Naquele mesmo dia, após uma palestra do NpLarp, ele e outros parceiros foram jogar para ver o que é que era esse tal de larp que fazíamos! Foi possivelmente o "Boa Noite Queridinhas" mais longo que já jogamos. Muitos daqueles jogadores dizem até hoje que foi uma experiência transformadora. Para o Barba talvez tenha sido a mais transformadora dentre todos.

Algumas participações em eventos, muita jogatina, bate-papo, visitas, podcasts, mais jogatina, mais bate-papo, trocas de bibliografia, etc, etc, etc... * E três anos depois (o primeiro contato foi 11 de outubro de 2013) lá está o Barba defendendo sua dissertação sobre larp.

10. Com louvor. Indicado à publicação. Indicado à continuidade da pesquisa no doutorado.

A primeira dissertação sobre larp na área da comunicação. A mais completa revisão bibliográfica sobre larp já feita. Um projeto de pesquisa absolutamente estimulante.

Um momento histórico para o larp - e para os envolvidos nessa história de paixão.

Ao novo mestre, nosso muito obrigado.

A todos os demais: o centro da pesquisa foi o larp Sê um viajante numa noite de inverno, do companheiro Luiz Prado.

A pesquisa Processos comunicacionais nos jogos narrativos: A relação entre o roleplay e as histórias de vida dos Players, de Tadeu Rodrigues Iuama já pode ser acessada no site da Uniso.

A orientadora Monica Martinez, Tadeu Rodrigues Iuama, e os professores Jorge Miklos e Miriam Cris Carlos. (Foto: Gisele Souza)



* Há alguns registros dessa parceria. Postamos um breve relato sobre nossa participação no evento Fantasy Arts em 2014, onde realizamos diversos larps e roleplaying poems. Estivemos duas vezes no Panzercast, o podcast onde o Barba é um dos apresentadores: um programa especial sobre larp e outro sobre o larp Ouça no Volume Máximo.


Leia também:

Relato da pesquisadora Vanessa Heidemann, do grupo de pesquisa NAMI, da Uniso, sobre esta defesa de mestrado.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

NpLarp na Funbox

Ontem estivemos eu e o Luiz Prado, a convite do Jaime Daniel Rodríguez Cancela, na FunBox Ludolocadora para um bate papo sobre o larp, arte participativa, estruturas narrativas na arte participativa e tudo o mais!

Além de agradecer por participar um pouquinho da oficina de narradores, antes da nossa fala, que foi demais, queria agradecer também ao convite e aos participantes todos que mostraram mais do que curiosidade e interesse, mas um verdadeiro engajamento!





Essa turma vai longe :D

Abraço imenso a todos, e nos vemos de novo em breve, no 10° Encontro de RPG do CCJ ;)

publicado originalmente em no facebook em 11 de outubro de 2016

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

NpLarp na Unicamp

Luiz Falcão e André Sarturi, em foto de Luiz Prado, durante o larp Café Amargo.

Ontem o NpLarp esteve na UNICAMP para o Seminário de Pesquisas do Programa de Pós Graduação em Artes da Cena (sppgadc).

A convite do pesquisador André Sarturi, fomos apresentar a linguagem do Larp no evento. Levamos um cardápio de jogos com uma seleção abrangente de larps que qualquer pessoa pode realizar, sem grandes recursos. No cardápio, jogos do Brasil e do exterior que demonstram a diversidade da prática, mesmo em um recorte por similaridade. Algo que seria impossível alguns anos atrás, quando começamos essa jornada.

O material é uma variação do mesmo "cardápio" que Luiz Falcão levou para o Sesc Bauru, alguns dias atrás - e em breve ganhará também uma versão digital.

No encontro, além da participação no evento, tivemos oportunidade de conversar bastante com o pesquisador André Sarturi, que desenvolveu seu mestrado em artes cênicas - pesquisando larp - em 2012 e agora desenvolve, na UNICAMP, seu doutorado em dança e participação no espaço urbano, com o espetáculo ILINX.

Foi uma rica oportunidade de troca e debate que esperamos repetir em breve.

Infelizmente, esquecemos (pra variar) de tirar uma foto oficial, com os três pesquisadores. A foto acima é o único registro, clicada pelo Luiz Prado enquanto jogávamos Café Amargo!

André Sarturi, à direita, no larp O Jogo do Bicho, do Boi Voador (2014).

terça-feira, 5 de julho de 2016

NpLarp recebe Thiago Junges


Sábado dia 25 de junho o Tiago Junges (Kaldjorn, Verloren, Kampfest...) veio a São Paulo para duas atividades no Sesc Itaquera - um bate papo e a realização do larp space opera Hyperdrive.

À noite, visitou o NpLarp e conversou com Luiz Prado e Luiz Falcão.

Conhecemos o trabalho dele com larp em 2013 - na verdade divergimos exatamente sobre como foi. Em uma ocasião, lemos uma matéria na internet sobre um larp medieval em Porto Alegre onde o responsável entrevistado dizia que o larp era também uma mídia e uma forma de arte. Seriam ecos do Guia Prático de Larp? Tratava-se de Kaldjorn. Por outro lado, durante o processo de criação do larp O Jogo do Bicho, encontramos o rpg DOGs, de autoria do Junges, que - como O Jogo do Bicho - também tinha como uma de suas influências o filme Cães de Aluguel, e acabamos conhecendo os demais trabalhos do autor.

Depois, fomos recebidos por ele em Porto Alegre, na ocasião do LabJogos de 2015 - onde pudemos conversar de maneira mais próxima e trocar experiências sobre nossas práticas (e teorias!) a respeito do larp.

Em nosso encontro em São Paulo, duas semanas atrás, aproveitamos a oportunidade para aprofundar o diálogo começado no Sesc de manhã - e claro, em todas as ocasiões anteriores! ;)

Por quase uma hora, falamos de muitos detalhes, histórias e escolhas que envolveram o larp Kaldjorn e sua trajetória até o encerramento, em janeiro desse ano, e o novo projeto do realizador, Crônicas de Verloren.

Criação de personagem, fichas, habilidades, cultura de jogo, caracterização, experiência, sistema monetário, gestão de recursos, o trabalho como organizador e designer, a interlocução com as comunidades de jogadores, o evento anual Kampfest.... e a escolha de um novo rumo, fundamentado em 4 anos de experiência com o Kaldjorn, para um estilo de jogo mais imersivo e narrativo, em Verloren.

Depois, conversamos com Junges sobre outros projetos na linguagem. Em especial o larp Radioativo, criado por ele e realizado ano passado em Porto Alegre. Com influência do larp Nórdico, a experiência foi absolutamente diferente do experimentado em larps como Kaldjorn e abriu caminho para outra linha de trabalho, com larp, em Porto Alegre.

A gestão de recursos parece ser um elemento constante nos jogos do autor. Desenvolvedor também de jogos digitais, cardgames, boardgames e RPGs, Junges não se prende a territórios de conforto nas linguagens - e usa livremente os recursos disponíveis entre elas. Com o tempo e a experiência, tem percebido como tirar melhor proveito deles em cada linguagem. Alguns de seus jogos já estão disponíveis na internet, gratuitamente, e ele tem planos para fazer o mesmo com outros (Hyperdrive incluso).

Além de Verloren, Radiotivo, Purgatório (?!), Fin des Temps e Hyperdrive... tudo indica que virão mais larps de Tiago Junges em breve. Um brinde a isso!

Um brinde ao intercâmbio!

Um brinde a parceria!

O larp é a arte do encontro!




PS: até aquele momento, dentre os larps do autor, apenas Fin des Temps não havia sido realizado. No dia seguinte, descobrimos que o professor Rafael Carneiro Vasques havia utilizado o larp com seus alunos. Naquele mesmo dia!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Larp no Japão

Post originalmente publicado no facebook (11/02/2016), por Wagner Luiz Schmit, pesquisador que desenvolve sua pesquisa de doutorado no Japão.

Então nós temos larp no Japão, e esse é um vídeo explicando o que é larp em japonês para japoneses.

Atualmente tem apenas dois grupos de larp no Japão.

O mais velho, com alguns anos, e que está promovendo o vídeo, se originou de um grupo em Tokyo (que não está mais ativo) e é composto apenas por jogadores japoneses, em língua japonesa e com o TRPG "Sword World 1.0" (o mesmo do anime Record of Lodoss War) como cenário e o "Patria Solis" como livro de regras com algumas regras modificadas.

http://laymun.minim.ne.jp/

O outro grupo começou este ano, e é derivado do grupo canadense "Underworld", ele é composto por estrangeiros falantes de língua inglesa e a língua principal é o Inglês. Eles usam tanto as regras como o cenário do "Underworld".

https://www.facebook.com/groups/1520452058215307/?ref=bookmarks

sexta-feira, 27 de março de 2015

Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional?

O NpLarp esteve presente no Laboratório de Jogos 2014, que aconteceu em Belo Horizonte, com uma série de larps e exposições. Agora, essas intervenções começam a ganhar a internet, graças ao trabalho do Eduardo Caetano.

O primeiro vídeo das participações do NpLarp é a fala de Luiz Prado Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional? Confira abaixo:


Em 2015, o Laboratório de Jogos acontece em Porto Alegre, nos dias 25 e 26 de abril. O NpLarp estará novamente no evento, fortalecendo ainda mais a relação com os produtores de larp e rpg nacionais.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Larp Census - Últimos dias para responder

Circula desde setembro pela internet do mundo todo o Larp Census 2014 - uma pesquisa em mais de 15 idiomas que tem por objetivo "contabilizar cada larper do mundo, inclusive você".



A iniciativa de Aaron Wanek (EUA) e Ryan Paddy (Nova Zelândia) pretende criar um banco de dados público e mundial sobre o perfil e preferências dos praticantes de larp. Pode ser respondido em uma versão resumida (que leva apenas 1 minuto) ou mais longa e detalhada - e os resultados estarão disponíveis para consulta em breve.

O objetivo é fornecer aos jogadores e organizadores uma ideia mais clara sobre a prática, expectativas, interesses e preferências dos participantes e interessados em larp. Tudo isso de modo anônimo, contribuindo de forma abrangente para o desenvolvimento do larp ao redor do mundo.

A pesquisa encerra entre sexta-feira e sábado, se você ainda não respondeu, esta é a hora.
Acesse http://larpcensus.org/home/pt

sábado, 2 de agosto de 2014

[Fotos] Paulo Merlino no NpLarp Encontros

No sábado passado, dia 26 de julho, recebemos Paulo Merlino, do Grupo Batalha Cênica Salvador, mais uma vez em um NpLarp Encontros realizado na Biblioteca Pública Monteiro Lobato, no Centro de São Paulo.

Merlino falou um pouco sobre sua trajetória com o larp, as características que a prática adquire em sua cidade, Salvador, e mais especificamente em seu grupo a BCS. Dedicou parte de sua fala a explicação e defesa do modelo Larp de Campanha X Larp de Combate X Larp Artístico, relacionando-o a prática de swordplay, boffer e larp. Na rodada de perguntas, esclareceu mais detalhes sobre o funcionamento da Batalha Cênica Salvador, seu histórico e modelo de atividades - inclusive, sobre as características particulares que seu larp possui: a divisão temporal baseada em atos > cenas > campanhas > sagas; a existência de protagonistas, a criação e troca de personagens; o uso de técnicas como Ars Amandi e Ars Ordo; além de histórias e causos que fazem parte da memória do grupo e da memória do larp - e swordplay - soteropolitano.

Segundo encontro realizado com uma personalidade ligada ao larp de outro Estado do país, este Encontro deve ganhar uma versão em vídeo em breve, disponível aqui no blog do NpLarp. Antes disso, já recebemos o pesquisador Wagner Luiz Schimt em 2013, hoje envolvido em seu projeto de doutorado no Japão - cujos vídeos de documentação também devem estar aqui em breve.

O NpLarp Encontros também realizou o intercâmbio entre linguagens (o Teatro de Máscaras, os Workshops de Jane Eliot, os card/boardgames e o RPG Indie em 2011) e produtores de larp (Primeiro Encontro de Produtores, envolvendo produtores do Estado de São Paulo, em 2011; Segundo Encontro, envolvendo São Paulo e Minas Gerais, em 2013).

Abaixo, fotos do evento - do debate e também do larp realizado em seguida.


Depois da apresentação, rodada de perguntas e bate papo, Paulo Merlino realizou também, no espaço da gibiteca, o larp Ducados do grupo BCS, numa versão inédita.

O larp Ducados,em sua versão original - e não a modificação realizada durante o evento - pode ser encontrado no arquivo do Larp dos Reinos, disponibilizado pela Batalha Cênica Salvador em maio em seu grupo no facebook.

sábado, 19 de julho de 2014

Paulo Merlino em São Paulo - dia 26/7

Paulo Merlino é diretor do grupo Batalha Cênica Salvador - um dos mais ativos e importantes grupos de larp e swordplay no Nordeste Brasileiro, em atividade na Bahia. Ele estará neste da 26 de Julho, véspera do Encontro Paulista de Swordplay, reunido com o NpLarp na biblioteca Monteiro Lobato.

Merlino falará sobre sua experiência e trajetória com a linguagem do larp e no comando da BCS, sobre as relações que estabelece entre essa forma de arte e a prática esportiva do swordplay e sobre a cena de larp em sua região.

Após a conversa, Paulo Merlino organizará também um larp de 1 hora de duração - para que os participantes possam conhecer de verdade aspectos práticos do trabalho do grupo. Para 10 pessoas, a partir de 16 anos.

BATALHA CÊNICA SALVADOR

Fundada em 2008 por Paulo Merlino, a BCS começou com foco em batalhas (swordplay) e investiu no modelo ao tomar contato com grupos semelhantes em território nacional.

A partir de 2013, a pesquisa com a linguagem do larp ganhou mais espaço. Foi quando se iniciaram os estudos dos larps nórdico e americano. O larp na BCS ganhou um novo corpo, conceitos como resenha (debrief) e ambientação 360° foram amplamente testados. Os trajes e o envolvimento com o enredo se desenvolveram, trazendo notoriedade ao grupo.

Esta fase mais recente aproxima a experiênicada BCS a de seus colegas em São Paulo, especialmente em torno do NpLarp.

ENCONTRO PAULISTA DE SWORDPLAY


Dia 27 de julho acontecerá o 4° EPS - Encontro Paulista de Swordplay. Durante evento que reúne praticantes de todo país, o NpLarp convida para debate uma das figuras mais importantes do larp no nordeste e da intersecção entre larp e swordplay.

Swordplay é o nome dado a diversas práticas com espadas, réplicas ou simulações de espadas de cunho esportivo, competitivo ou não. Nos últimos anos, esse tipo de prática se popularizou imensamente em todos os estados do Brasil. Alguns desses grupos praticam também larp com temáticas associadas ao swordplay - em sua maioria, histórias ambientadas em universos de fantasia medieval.

ENCONTRO COM
PAULO MERLINO

GRUPO BATALHA CÊNICA SALVADOR (BAHIA)

DIA 26 de JULHO
às 11Hs da manhã

BIBLIOTECA PÚBLICA MONTEIRO LOBATO ( no Auditório)
Rua General Jardim, 485 - Vila Buarque
próximo aos metrôs República e Santa Cecília


bonus track: arte do cartaz
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