quarta-feira, 23 de abril de 2014

NpLarp e Boi Voador no Laboratório de Jogos 2014

Foto por Luiz Lurugon.
Nos dias 18, 19 e 20 de abril estivemos em Belo Horizonte, na segunda edição do Laboratório de Jogos. Direcionado para produtores de jogos analógicos - rpg, larp e jogos narrativos em geral -  o evento contou com diversas palestras, mesas-redondas e testes de jogos. Dentro da extensa programação, o Boi Voador e o NpLarp contribuiram com alguns jogos, falas e palestras.

Jogos


O primeiro dia do Laboratório começou com Álcool, larp de Luiz Prado ainda não publicado, sobre o papel da bebida na vida das pessoas. Foram três aplicações do jogo, variando do humorístico para o melancólico. O retorno dos jogadores foi bastante interessante, com considerações sobre aspectos mecânicos do larp e as implicações emocionais que a experiência trouxe para cada um. Como preparação para o Álcool realizamos 3 de mim, poema de representação de Matthijs Holter.

3 de mim, preparação para Álcool. Foto por Igor Smith.
No segundo dia tivemos Morte Branca, larp dinamarquês de Nina Runa Essendrop e Simon Steen Hansen, inédito no Brasil. Levamos o larp para o evento instigados pela total ausência de falas durante o jogo e por sua intensa oficina preparatória, na qual os personagens são construídos através de exercícios corporais. Essas duas características, aliadas à centralidade da representação pelo corpo, tornam a aplicação de Morte Branca um marco para as pesquisas do Boi Voador e do NpLarp.

Morte Branca. Foto por Luiz Falcão.
Fechando a programação de jogos, aplicamos no terceiro dia do evento O Jogo do Bicho, larp original do Boi Voador sobre criminosos no Brasil dos anos 70. Propondo a construção aleatória de personagens através de cartas e mecânicas inspiradas na atmosfera da obra de David Lynch, O Jogo do Bicho é o desenvolvimento de Máfia, realizado no Laboratório de Jogos 2013. Várias mudanças foram feitas em relação ao jogo de 2013 e o debate pós-larp foi muito gratificante, com os participantes analisando aspectos da construção dos personagens e das mecânicas do jogo, destacando o que funcionou e sugerindo alterações nos pontos que geraram ruídos durante a experiência.

Cenário de O Jogo do Bicho. Foto por Igor Smith.

Apresentações


Além dos larps, tivemos também uma série de falas e discussões durante o evento. Em Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional, Luiz Prado apresentou uma retrospectiva da cena brasileira tendo como ponto de partida a edição 2013 do Laboratório de Jogos. Durante a fala, destacou a importância do Laboratório para o intercâmbio entre produtores de diversas partes do país, o surgimento de novos espaços de jogo e o aumento de diários de produção, críticas e resenhas dos jogos.

"Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional". Foto por Luiz Lurugon.
Na palestra As palavras tem poder - como uma simples definição mudou os rumos do larp no país, Luiz Falcão discorreu sobre o impacto que a adoção do termo larp teve no próprio entendimento da prática, transformando-a de simples modalidade de rpg para uma arte autônoma, capaz de abrigar múltiplas experiências, formatos e temáticas.

Já em Cultura Participativa e Estética Relacional, Falcão apresentou as ideias expressas no livro Deltagar Kultur (do grupo sueco Interacting Arts) e na obra de Nicolas Bourriaud, discutindo as noções de artista, espectador, interator e participante, relacionando-as com o larp e o rpg.

Falcão participou também na mesa redonda Como trabalhar com jogos de representação - para além de publicar um livro ao lado de Encho Chagas, autor de Pulse, jogo ganhador do Game Chef 2013, Rafael Rocha da ONG Narrativa da Imaginação e Danilo Kobold da loja/editora Kobold´s Den. A proposta da mesa foi apresentar diversos casos de projetos relacionados ao larp e ao rpg que não envolvem diretamente a publicação editorial.

"Como trabalhar com jogos de representação - para além de publicar um livro". Foto por Luiz Lurugon.
Fechando a programação proposta pelo NpLarp e o Boi Voador, a palestra de Falcão As bailarinas de Degas mostrou como o desenho deixou de ser uma técnica considerada apenas preparação para a pintura e a escultura e alcançou a condição de arte autônoma. A fala procurou estabelecer um paralelo com o larp, praticado por companhias teatrais como aquecimento e exercício, sem o reconhecimento de sua autonomia.

"As bailarinas de Degas". Foto por Igor Smith.
Assim como aconteceu na edição 2013 do Laboratório de Jogos, discutimos muitas ideias, conhecemos iniciativas inovadoras tanto em larp quanto em rpg e tivemos momentos muito bons com a realização dos jogos. Contudo, o mais importante com certeza foi rever os velhos rostos e conhecer os novos produtores. Saímos do evento com a certeza de que o larp e o rpg indie só tem a ganhar com uma intensa troca de ideias e experiências, livre de impedimentos - exatamente a proposta do Laboratório de Jogos.
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